Crítica do “Dirty Movies”

O site Dirty Movies (“filmes sujos”) descreve-se como uma “plataforma para o cinema provocador” e defende que o cinema deve provocar o espectador, deixando-o sem palavras e sem fôlego! Assim, dedica-se a analisar filmes que podem mudar a forma como o público percebe e se relaciona com o mundo. São o que eles chamam de “filmes sujos”!

A loucura entre nós recebeu a classificação de “Greasy movie” (“filme gorduroso”), com três manchas de lama dada pelo site!

dirty_movies

Nós ficamos bem orgulhosos e resolvemos traduzir aqui a crítica feita ao documentário, do escritor Victor Fraga, brasileiro que vive em Londres e com mais de 15 anos de envolvimento na indústria cinematográfica:

Além de Jekyll e Hyde: Documentário brasileiro altamente feminino e terno rompe os mitos da insanidade, ajudando a eliminar o estigma das pessoas que vivem com problemas de saúde mental.

“Eles dizem que eu sou lento, mas eu tenho o meu próprio ritmo”, é assim que um paciente internado em uma instituição de saúde mental descreve sua própria situação. A loucura entre nós leva os espectadores a uma viagem em um hospital psiquiátrico na cidade de Salvador, no Nordeste do Brasil, bem como às vidas e aos desafios que os pacientes enfrentam quando estão fora da instituição. O filme abre com uma barreira levantada no que parece ser um parque de estacionamento na entrada da instituição. Este é um lembrete de que estamos prestes a entrar em outro mundo, mas que os limites podem ser facilmente removidos.

Os paradoxos centrais da humanidade são examinados com uma raia macia e terna: um paciente equilibra-se entre o desejo de paz e os ataques violentos incontroláveis, enquanto outro pondera sobre a urgência do trabalho e a loucura da ociosidade. Essas pessoas sofrem de leves e de graves condições de saúde mental; a maioria deles toma medicação como a fluoxetina, a fim de controlar seus balanços humor.

Muitos dos pacientes compreendem as normas sociais e os limites que os mantêm sob o controle médico em um ambiente controlado, e essa consciência pode causar enorme frustração. Uma mulher bipolar afirma que ela não é uma ameaça à segurança pública e, portanto, não deve ser trancada. Outra está de volta para casa e luta para manter sua sanidade: ela está tentando encontrar os gatilhos para seus ataques, para que possa evitá-los no futuro. Confessa que já queimou suas próprias roupas no passado.

O filme está repleto de esperança. Os pacientes costumam cantar canções com uma mensagem positiva (eles estão especialmente interessados no compositor e cantor brasileiro Caetano Veloso), e um diz que “eles são todos loucos… uns pelos outros”. Há redenção através do trabalho e das artes: alguns gostam de fazer crochê, alguns gostam de pintar, outros preferem jardinagem. Todos eles parecem encontrar satisfação e um propósito na vida através dessas atividades. O trabalho criativo parece muito libertador, talvez porque lhes permite expressar emoções que não são capazes de vocalizar.

Há também momentos perturbadores de humor, tais como a mulher bipolar que usa uma máscara ao discursar sobre seus altos e baixos em um espanhol zombeteiro. Em um ponto, outra senhora diz: “Jesus voltará em carne e osso, e matará toda a humanidade, porque nós não valemos a pena”.

A diretora Fernanda Fontes Vareille, ex-aluna do Goldsmith’s College em Londres, criou um filme tocante e altamente feminino. Não só o olhar da diretora é gentil e intuitiva, mas também a maioria das pacientes internadas são mulheres. No entanto, o filme é embalado com muitos personagens em seus relativamente curtos 76 minutos, e assim as histórias pessoais perdem-se um pouco. Às vezes é um pouco difícil ficar sob a pele dos pacientes, ou alinhavar os pedaços das sequências do filme. Ainda assim, é um tributo apropriado para pacientes com distúrbios de saúde mental, e um comentário valioso sobre a sanidade relativa de todos os outros.

 

A loucura entre nós tem sido mostrado em festivais de cinema em vários países, incluindo os EUA, Canadá, Portugal, França e seu mercado doméstico Brasil. DMovies vai manter um olho para exibições no Reino Unido e em outros lugares.

Para ler a matéria em inglês, entre aqui!

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