A Loucura e a Luta Antimanicomial

IMG_5864O Movimento da Luta Antimanicomial brasileiro trabalha na defesa da inserção da pessoa em estado de sofrimento mental na sociedade, com a valorização e garantia de todos os seus direitos. Ele atua em busca de um tratamento humanizado dessas pessoas e desde a década de 1980 vem conquistando importantes avanços políticos, normativos e assistenciais que funcionaram como peças fundamentais para a Reforma Psiquiátrica no país.

Ampliando o debate sobre a construção de uma ampla rede de atenção em saúde mental, aberta, competente, funcional, abrangente e com apoio ampliado às famílias, o Movimento da Luta Antimanicomial tem como meta a substituição progressiva dos hospitais psiquiátricos tradicionais por serviços abertos de tratamento. Isso implica na adoção, por toda a sociedade, de formas de atenção dignas e diversificadas de modo a atender às diferentes manifestações e momentos em que o sofrimento mental surge e se manifesta.

Em 1987 estabeleceu-se o lema do movimento: “Por uma sociedade sem manicômios”, e o 18 de maio foi definido como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A data marca a lembrança ao respeito aos Direitos Humanos, à liberdade e à cidadania dos portadores de sofrimento mental, mas é também um dia de protestos contra instituições, políticos e sistemas que ainda reproduzem a violência institucional e simbólica das violações registradas em muitos hospitais psiquiátricos e manicômios.

Desde a Lei 1.0216, de 2002, abriu-se a perspectiva de um tratamento mais aberto e humano. Nesse novo modelo, o hospital seria usado pontualmente apenas em poucos casos, e a presença e participação da família passa a ser muito mais importante e valorizada.

Os anos de 2015/16, entretanto, tornaram-se inquietantes para os que trabalham na Saúde Mental no Brasil. Conviveu-se com a saída de Roberto Tykanori, fiel ao novo modelo humanizado, da Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde; soma-se ao fato o assassinato na Bahia, ainda não resolvido, de Marcus Vinícius (o Marcus Matraga), um dos maiores militantes da luta antimanicomial e pelos direitos indígenas, e a ameaça de interrupção das atividades do PAI PJ, uma das mais importantes inovações em Saúde Mental, exemplo para serviços até no exterior, devido à demissão de quase metade de sua equipe.

Tudo isso acontece no momento em que, no final de 2015, o psiquiatra Valencius Wurch Duarte Filho torna-se o novo coordenador-geral de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas. Com um passado que inclui a direção da Casa de Saúde Dr. Eiras (RJ) numa época em que foram verificadas violações de direitos humanos e inúmeros casos de abusos aos pacientes, a rejeição ao nome de Valencius na condução da Política Nacional de Saúde Mental tornou-se praticamente unânime entre os mais importantes grupos ligados à área.

A exoneração de Valencius Wurch Duarte Filho da Coordenação de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas aconteceu no dia 9 de maio de 2016 e representou uma vitória dos movimentos sociais da saúde e uma prova de que, independentemente do cenário, só a luta social é capaz de galvanizar os desejos da sociedade e obter conquistas de longo prazo para as Reformas Sanitária e Psiquiátrica.

“É preciso lembrar que os episódios relatados são apenas em aparência desconexos. A saúde mental é uma bússola do modo como se trata a liberdade e a valorização de cada vida, uma a uma. O modelo que antecedeu o PAI PJ fazia do paciente psiquiátrico infrator uma vida de segunda classe, voltada à segregação e condenação sumária, à prisão perpétua nos manicômios psiquiátricos. Se qualquer um, e hoje somos tantos, jogasse uma pedra em um carro na rua ou quebrasse uma vitrine, ele seria detido, talvez cumprisse uma pena alternativa, e seria liberado. Sob o estigma que fazia do sintagma loucura/violência uma dedução inabalável, o louco que jogasse uma pedra em alguém poderia ficar preso para o resto da vida. O PAI PJ é o responsável pelo retorno da dignidade de uma enorme população que antes era tratada como resto abjeto da sociedade do bem-estar.” – Dr. Marcelo Veras, psicanalista e autor do livro A loucura entre nós.

O filme A loucura entre nós, que mergulhou durante três anos no universo de pacientes do Hospital Juliano Moreira, em Salvador, captou momentos em que o tratamento se abre para a cidade, adotando serviços abertos de tratamento e formas de atenção dignos e diversificados. Toda a obra possui identificação direta com o Movimento Nacional de Luta Antimanicomial e, nesse sentido, a voz dada aos pacientes reforça o ideal de um futuro onde não existam manicômios, mas sim processos capazes de extinguir para sempre qualquer lógica de cidadãos de primeira e de segunda classe no tratamento de pessoas com sofrimento mental.

Nesta página, você encontrará diversos tópicos e links com críticas ao filme A loucura entre nós, produções diversas que dialogam com elas, entrevistas exclusivas e sugestões de outros filmes que dialogam com o tema,  além de livros, pesquisas, vídeos e reportagens para ampliar ainda mais a discussão proposta. Boa pesquisa!

CRÍTICAS
O que foi dito sobre o filme A loucura entre nós que se relaciona ao tema da Luta Antimanicomial.

“Franco Basaglia, psiquiatra italiano que revolucionou a Reforma Psiquiátrica, afirma em sua frase mais célebre que virou a principal bandeira da luta antimanicomial: ‘Para que não se esqueça, para que não mais aconteça, por uma sociedade sem manicômios!’. Para a humanização do tratamento de saúde mental é preciso extinguir os hospitais psiquiátricos e sua concepção asilar. No filme “A loucura entre nós”, de Fernanda Vareille, as grades que encarceram, ao mesmo tempo, abrem mentes daqueles que vivem fora dos manicômios. Numa narrativa de histórias fortes, a sutileza é convidativa e, ao mesmo tempo, visceral.”

Por Rafaela Uchoa, colaboradora do Vozes da Voz, grupo de cinema e jornalismo independente que trabalha junto à saúde mental e apoia vários outros movimentos sociais que defendem a igualdade. Para ler o texto completo, entre nesse link.

“(…) o festival [Olhar de Cinema] ainda serviu de palco para a estreia mundial de um documentário lindíssimo que, espero, ganhará logo as telas do mundo: A Loucura Entre Nós, de Fernanda Vareille. Ao sair da sessão profundamente comovido com o que havia visto, comentei no Twitter que o filme era complexo a ponto de permitir o riso diante de seus personagens ao mesmo tempo em que nos levava a lamentar suas dores. E, de fato, além de servir como reflexão importante sobre o sistema manicomial brasileiro (dialogando, neste ponto, com o clássico Em Nome da Razão, de Helvécio Ratton), o documentário de Vareille questiona o próprio conceito de “loucura” ao apontar acertadamente que muito de nosso tratamento desumano com relação aos que rotulamos como “insanos” tem a ver com nossos próprios medos diante deste mesmo rótulo.”

Por Pablo Villaça, Escritor, crítico de cinema desde 1994 e diretor do portal Cinema em Cena.

MEMÓRIA
Produções diversas que ampliam o debate sobre as críticas do filme A loucura entre nós e a relação entre a Loucura e a Luta Antimanicomial.

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A loucura entre nós
O livro do Dr. Marcelo Veras, psiquiatra que esteve à frente da direção do Hospital Juliano Moreira, em Salvador, reúne tanto abordagens sobre a reforma psiquiátrica no Brasil e a teoria lacaniana das psicoses, quando casos de pacientes com longo histórico de internações psiquiátricas que buscaram suas inserções na cidade, inventando novas formas de lidar com sua condição sem a necessidade de internações hospitalares. Foi exatamente esse livro o ponto de partida para a diretora Fernanda Fontes Vareille mergulhar no universo do Hospital Juliano Moreira e realizar sua obra homônima.

35 Anos de Basaglia no Brasil: Memórias do III Congresso Mineiro de Psiquiatria, 1979
Exibição (em vídeo) do documentário sobre o III Congresso Mineiro de Psiquiatria, que se realizou em Belo Horizonte, em novembro de 1979, com participação do psiquiatra italiano Franco Basaglia. O III Congresso foi um importante marco da Reforma Psiquiátrica em Minas Gerais.

Como fechamos nossos hospícios monstruosos
No 15º aniversário da Reforma Manicomial, um retrospecto da luta que eliminou alguns dos hospitais psiquiátricos mais desumanos do mundo. E um alerta: esta conquista está ameaçada. Texto escrito por Lígia Morais em abril de 2016 e publicado no site Vozes da Voz.

35 Anos de Basaglia no Brasil: Biografia Franco Basaglia
Vídeo biográfico que narra a história de vida, luta e trabalho do psiquiatra italiano Franco Basaglia.

Franco Basaglia and the closure of Italian asylums
O professor pesquisador John Pé, criador do Wellcome Trust, passou dois anos explorando a história do psiquiatra revolucionário Franco Basaglia. Este slideshow de áudio (em inglês) dá uma visão geral do trabalho de Franco Basaglia e seu movimento para reformar radicalmente o tratamento de pacientes psiquiátricos na Itália.

HelvécioHelvécio Ratton – O cinema além das montanhas

Livro-depoimento escrito pelo jornalista Pablo Villaça, onde o cineasta mineiro Helvécio Ratton conta a sua trajetória e discute temas tão variados como participação na luta armada, exílio, Ditadura, os problemas dos manicômios (assunto de seu curta Em Nome da Razão) e o sucesso de sua versão de O Menino Maluquinho, baseado no personagem de Ziraldo.

 

 

Territórios Lacanianos – Criamundo – Agosto de 2013
Vídeo de 2013 da Escola Brasileira de Psicanálise sobre o funcionamento da Criamundo, intituição que é um dos focos do filme A loucura entre nós. Este vídeo traz
entrevistas e depoimentos de profissionais e funcionários envolvidos no projeto.

Plano Nacional de Saúde – PNS 2012-2015
Plano do Ministério da Saúde que orientou a gestão federal no setor de 2012 a 2015. Ele é estruturado em duas partes: A primeira destaca o resumo das condições de saúde da população brasileira, o acesso às ações e serviços e questões estratégicas para a gestão do SUS; a segunda aponta as diretrizes e metas a serem alcançadas que contribuirão para o atingimento do objetivo de aprimoramento do SUS.

Lei n° 10.216, de 06 de abril de 2001
Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental no Brasil.

Princípios para a Proteção de Pessoas Acometidas de Transtorno Mental e a Melhoria da Assistência à Saúde Mental
Organização das Nações Unidas

Evolução dos direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais: uma análise da Legislação Brasileira
O objetivo geral deste estudo realizado por Emanuele Seicenti de Brito e Carla Aparecida Arena Ventura é compreender, no âmbito da legislação brasileira, o enfoque dado aos direitos humanos das pessoas portadoras de transtornos mentais. Trata-se de pesquisa descritiva documental, realizada com base na análise da legislação brasileira do período de

PAPO ABERTO
Entrevista exclusiva sobre o tema.

MFL_foto_Rafaella_RezendeEntrevistando Marcelo Veras
Uma entrevista exclusiva onde o Dr. Marcelo Veras fala de sua experiência como Diretor do Hospital Juliano Moreira, de casos presenciados em sua vida profissional, das impressões sobre o documentário feito a partir de seu livro homônimo e, claro, sobre os “nós” da loucura existente em cada um de nós!

Qual foi o seu objetivo ao escrever o livro “A loucura entre nós”?
Dr. Marcelo Veras – Após sete anos dirigindo o hospital, havia acumulado muitas histórias e adquirido uma experiência única. Achei importante mostrá-la a um público maior. O livro também teve a função de desfazer a ideia geral de que o psicanalista só vive em seus consultórios, distante do mundo cotidiano. Um psicanalista à frente de um hospital psiquiátrico é a prova de que estamos no mundo real.

Leia a entrevista completa entrando aqui

EdnaEntrevista com Edna Amado
Edinha, como é conhecida, foi fundadora do Núcleo pela Superação dos Manicômios (Nesm), filiado à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, e é atuante defensora dos direitos dos portadores de sofrimento mental, com envolvimento por mais de cinco décadas no Hospital Juliano Moreira, em Salvador, e na militância pela implantação dos Centros de Apoio Psicossocial (Caps). Hoje também Professora, é uma pessoa importantíssima para todo o Movimento da Luta Antimanicomial. Fez parte do seu surgimento!

Edinha: “Temos uma ideologia de que o doente mental tem de viver em sociedade. Apesar da sua diferença, apesar das suas dificuldades. Bom, voltando um pouco atrás, eu acreditava muito, também, que era possível ter o hospital do bem. Isso não existe. Daí a nossa radicalidade. A gente luta e o nosso lema é: uma sociedade sem manicômios. Nega a loucura? Não. Em absoluto! Enquanto à patologia, não. Em absoluto! A gente nega o lugar que foi criado, supostamente criado, para dar conta: que é o hospital psiquiátrico!”

Leia a entrevista completa entrando aqui

fernanda-otoni-brissetEntrevista com Dra. Fernanda Otoni
A psicanalista Fernanda Otoni de Barros-Brisset sabe dos preconceitos existentes na sociedade quando o tema é sofrimento mental. Sabe também que esse preconceito pode aumentar muito quando associado à figura do “louco infrator” – termo carregado de julgamentos muitas vezes usado para designar a pessoa em estado de sofrimento mental que comete algum delito perante a lei. Perguntamos a ela, entre muitas outras coisas, qual seria o melhor caminho para reverter tantas ideias historicamente preconceituosas sobre o universo da pessoa em sofrimento mental. “Conversando”, ela respondeu. E é exatamente isso que ela faz nessa ótima entrevista que dividimos agora com o público de A loucura entre nós:

O que as pessoas ainda não sabem sobre o assunto – mas que deveriam saber?
Dra. Fernanda Otoni – Vou subverter um pouco a sua pergunta… Talvez a pergunta seja assim: “O que as pessoas sabem, mas não querem saber – e por isso elas não sabem?” Eu acho que, de forma geral, as pessoas se defendem é da loucura de cada um, da loucura entre nós. É da forma imprevista, inominável, incalculável como cada um porta o seu ponto de loucura sem sentido, e que pode se manifestar na forma de atos insanos, em certa desordem, em palavras que saem sem pensar ou em atos que chocam. Não há nada mais humano que isso. Isso é para todos! É o que não tem governo nem nunca terá…

Leia a entrevista completa entrando aqui.

OUTROS OLHARES
Filmes que dialogam com o tema; obras produzidas a partir de temas correlatos.

Em Nome da Razão
Documentário de Helvécio Ratton sobre as atrocidades cometidas na colônia psiquiátrica de Barbacena.

NiseNise – O Coração da Loucura
Filme dirigido por Roberto Berliner sobre a Dra. Nise da Silveira e seus clientes. Ao sair da prisão, a doutora Nise da Silveira volta aos trabalhos num hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro e se recusa a empregar o eletrochoque e a lobotomia no tratamento dos esquizofrênicos.

Isolada pelos médicos, resta a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma revolução regida por amor, arte e loucura.

 

Hotel da Loucura
Durante anos o tratamento da doença mental foi marcado por métodos violentos.
Inspirado no trabalho da Dra. Nise da Silveira, pioneira na humanização do tratamento psiquiátrico no Brasil, este documentário dirigido por Flávia Venturi e Felipe Careli apresenta um local no qual os pacientes são chamados de atores e o tratamento é feito através da arte, da convivência e do afeto. Mas traz também relatos de um passado recheado de agressões a pacientes internados em outras instituições manicomiais.

Bicho de Sete Cabeças
A relação conturbada entre Neto (Rodrigo Santoro) e seu pai Wilson (Othon Bastos) é a base do filme dirigido por Laís Bodanzky. Na obra, o desprezo do pai ao mundo do filho (e vice versa) o faz mandar o filho para um manicômio, onde encara as relações abusivas do sistema manicomial.

Disorder_andreastarreeseDisorder
As condições degradantes de instalações de saúde mental na Indonésia são o foco da fotógrafa e documentarista americana Andrea Star Reese, que reuniu imagens no trabalho “Disorder”, de 2013.

Um Estranho no Ninho (One Flew Over The Cuckoo’s Nest)
O filme, um clássico dos anos 1970, foi dirigido por Milos Forman e traz o ator Jack Nicholson interpretando o presidiário Randle McMurphy, que se finge de louco para tentar fugir da obrigação do trabalho na prisão. Mas ao ser obrigado a morar em um hospital psiquiátrico, depara-se com relações autoritárias e abusivas.

OUTRAS VOZES
Livros, pesquisas e entrevistas para ampliar ainda mais a discussão.

Inspeções aos Manicômios – Relatório Brasil 2015
Publicação feita por meio de uma parceria do Conselho Federal de Psicologia com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Nacional do Ministério Público em Defesa da Saúde (AMPASA). Ele é dividido em quatro seções, com dados e fotos de inspeções realizadas por 18 Conselhos Regionais de Psicologia em 17 estados e o Distrito Federal, revelando problemas como estruturas precárias, maus tratos aos pacientes, número insuficiente ou ausência de advogados (as) e psicólogos (as). Leia a obra completa aqui:

Holocausto Brasileiro – Genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do Brasil
Livro/reportagem da jornalista Daniela Arbex sobre a história do Hospital Colônia de Barbacena, relatando as barbáries praticadas com a conivência de médicos, funcionários e também da população no maior hospício do País, localizado na cidade de Barbacena (MG), durante grande parte do século 20. Estima-se que pelo menos 60 mil pessoas morreram na Colônia. Os dados apontam ainda para uma população de 70% de internados sem qualquer diagnóstico de doença mental: epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, garotas grávidas, violentadas, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças.

Loucos-pela-VidaLoucos Pela Vida: a Trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil

Obra escrita pelo Dr. Paulo Amarante, que analisa cuidadosamente a evolução conceitual que orientou os movimentos antimanicomiais no Brasil nas décadas de 70/80.

Nele, o leitor terá acesso a informações dos bastidores desse processo, as movimentações internas, tensões, divergências das diretrizes que marcaram a história destes movimentos.

 

Cadernos Brasileiros de Saúde Mental – v. 4, n. 8 (2012)
Edição temática dos Cadernos Brasileiros de Saúde Mental – publicada em 2012 pela Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) – que traz 18 artigos sobre a importância dos ‘movimentos sociais’ na construção das políticas públicas de saúde mental, bem como o reconhecimento da participação social nesse processo. São textos que apontam para a participação social que inventa, no cotidiano, formas de lidar com o sofrimento psíquico em um ambiente de liberdade e respeito aos direitos humanos. “Pensamos, com este número, retomar as questões radicais – como diria Marx, ‘radical é ir à raiz da questão’ – da Reforma Psiquiátrica, demonstrando, através de diversas experiências, que o tratamento em liberdade ainda é a melhor forma de lidar com o sofrimento psíquico.” – Diretoria Nacional ABRASME

CANTO_DOS_MALDITOSCanto dos Malditos
Livro que traz o relato autobiográfico de Austregélio Carrano Bueno (1957-2008), onde conta sua experiência nos hospitais psiquiátricos e denuncia os absurdos cometidos diariamente nessas instituições.

O livro, uma reflexão política, filosófica, histórica e cultural acerca da construção social da “loucura”, inspirou o filme Bicho de Sete Cabeças.

Uma análise do livro Canto dos Malditos, de Austregélio Carrano Bueno

Entre a Razão e a Ilusão – Desmistificando a Esquizofrenia
Jorge Cândido de Assis e o psiquiatra Rodrigo Bressan se uniram à terapeuta Cecilia Cruz Villares, para escrever sobre a experiência de enlouquecer e o desenrolar da vida de Jorge Cândido, diagnosticado como esquizofrênico. Com linguagem acessível e utilizando vários recursos – como ilustrações, dicas e exemplos clínicos -, os autores abordam o transtorno e as situações que o permeiam a partir de questões como, por exemplo,  “Como a família lida com o fato de um de seus membros ter esquizofrenia? Ela pode ajudá-lo?”. Editora Artmed.

NA MÍDIA
Matérias, entrevistas e reportagens sobre a Loucura e a Luta Antimanicomial.

Leia aqui as principais matérias publicadas sobre o documentário A loucura entre nós.

Globo News Especial sobre a situação do tratamento mental do Brasil, o movimento antimanicomial e a reforma psiquiátrica no país.
Depois da lei da Reforma Psiquiátrica, aprovada em 2001 e que prevê a extinção dos manicômios, foram criados centros de tratamentos e hospitais com departamentos especializados para pacientes com algum tipo de doença mental. O GloboNews Especial mostra as reivindicações do movimento antimanicomial e discute os avanços e a lentidão da reforma psiquiátrica no país.

reforma

 

Matéria de Fernando Gabeira sobre o livro Holocausto Brasileiro
A reportagem foca o livro/reportagem da jornalista Daniela Arbex sobre a história do Hospital Colônia de Barbacena, relatando as barbáries praticadas com a conivência de médicos, funcionários e também da população no maior hospício do País, localizado na cidade de Barbacena (MG), durante grande parte do século 20.

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Café Filosófico: A história da psicopatologia no Brasil — Benilton Bezerra
O que é ser “normal”? O que significa “patologia mental”? Qual o limite entre uma diferença extravagante e a expressão de uma doença da mente? Como lidar com os que rotulamos como sendo loucos ou portadores de transtornos mentais? Estas e outras questões contextualizam a história da psicopatologia no Brasil, tema deste Café Filosófico CPFL, com a participação de Benilton Bezerra, psicanalista, psiquiatra e professor do Instituto de medicina social da UERJ.

Conversando sobre o SUS – Saúde Mental e o processo da reforma psiquiátrica brasileira Vídeo gravado em 25/10/2012 com Paulo Amarante (ENSP-FIOCRUZ) e publicado pela AudVis IPUSP

A desconstrução da lógica manicomial – construindo alternativas (Cristina Rauter)
Promovido pelo CFP e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o evento “A desconstrução da lógica manicomial – construindo alternativas” reúne destacados juristas, assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras, como o italiano Ernesto Venturini. Neste vídeo, conferimos a resposta da Profa. Cristina Rauter (UFF) à pergunta: Por que ainda existem manicômios?

A desconstrução da lógica manicomial – construindo alternativas (José Luiz Quadro Magalhães)
Promovido pelo CFP e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o evento “A desconstrução da lógica manicomial – construindo alternativas” reúne destacados juristas, assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras, como o italiano Ernesto Venturini. Neste vídeo, conferimos a fala do Prof. José Luiz Quadros de Magalhães (UFMG) sobre o tema.

A desconstrução da lógica manicomial – construindo alternativas (Tânia Kolker)
Promovido pelo CFP e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o evento “A desconstrução da lógica manicomial – construindo alternativas” reúne destacados juristas, assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras, como o italiano Ernesto Venturini. Neste vídeo, conferimos a fala de Tânia Kolker – Professora da UFF

Manicômios Judiciários: relatos dos CRPs destacam violações aos Direitos Humanos
Mesa de debate que faz parte do evento “A desconstrução da lógica manicomial – construindo alternativas”, promovido pelo CFP e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Entrevista com Daniela Arbex feita pela Univesp TV
Entrevista com a jornalista Daniela Arbex sobre o livro-reportagem em que ela descreve a vida dos internos no hospício da cidade de Barbacena, em Minas Gerais, conhecido como Colônia.

Matéria da TV Brasil
Loucura e liberdade: saúde mental em Barbacena

Dos Loucos e Das Rosas
Programa da TVNBR que traz depoimentos de vários moradores da cidade de Barbacena (MG), refletindo sobre a memória/presença de um dos mais emblemáticos hospitais psiquiátricos do Brasil.

barbacena

Reforma Psiquiátrica no Brasil – Programa Sem Censura
Programa de 2012 onde a jornalista Leda Nagle entrevista diversas pessoas envolvidas na Reforma Psiquiátrica brasileira.