Loucura e Psicofarmacologia / Drogas

Falar de medicamentos e drogas (lícitas ou não) é falar da maneira como o ser humano lida com o seu sofrimento. Mas é também falar de como conseguimos transformar qualquer inadequação social em uma questão médica, muitas vezes camuflando processos capazes de traduzir dimensões de compreensão da própria existência.

O próprio significado do termo grego “Pharmakon” revela a complexidade do tema; ele define a substância capaz de agir em nosso organismo, positiva ou negativamente. Assim, significa tanto veneno quanto remédio.

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São muitas as questões a serem analisadas quando se fala de drogas lícitas ou ilícitas. A relação com a lei, a responsabilidade de laboratórios e governos na geração de novas “doenças”, o sofrimento psíquico em si e a maneira como a psiquiatria lida com tudo isso são apenas alguns aspectos desse universo, cuja análise deve sempre procurar se eximir de qualquer abordagem normatizadora.

No filme A loucura entre nós, o assunto permeia o percurso das duas personagens principais, Leonor e Elisângela, e aqui propomos um espaço para refletirmos sobre a relação entre tratamentos, terapias e medicamentos, neste capítulo do Blog que chamamos de Loucura e Psicofarmacologia / Drogas.

Em um contexto de forte medicalização da sociedade e uma possível mercantilização do sofrimento psíquico, a única certeza é a de que não existem porções mágicas…

CRÍTICAS
O que foi dito sobre o filme A loucura entre nós que se relaciona ao tema da Psicofarmacologia.

“Depois dos anos 1980, a saúde mental no Brasil também teve grandes mudanças com o surgimento da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) para substituir os maus tratos e a política de trancafiamento silenciador dos manicômios. Mas infelizmente os mesmos ainda não foram totalmente sublimados, devido a uma série de interesses de empresários, políticos e, principalmente, da indústria farmacêutica. No documentário de 78 minutos, a câmera revela o Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira (fundado em 1892) de dentro para fora, dando voz e um olhar especial a essa parcela da população que é muito pouco ouvida pela sociedade. (…) Em “A loucura entre nós” são discutidos temas pertinentes a realidade das pessoas institucionalizadas como a autonomia que lhes é tirada no momento em que passam a viver num hospital, as dificuldades da família para o cuidado, agravada principalmente pela falta de conhecimento do assunto e pela própria situação financeira vulnerável; o impacto das medicações diárias e vitalícias na vida dos paciente; a subjetividade de cada um; o aspecto questionador da loucura – a medida que se passa a não mais fazer questão de seguir as convenções sociais – e, principalmente, humaniza a figura do louco através de suas vozes, canções, expressões e histórias de vida.”

Por Rafaela Uchoa, colaboradora do Vozes da Voz, grupo de cinema e jornalismo independente que trabalha junto à saúde mental e apoia vários outros movimentos sociais que defendem a igualdade. Para ler o texto completo, entre nesse link.

MEMÓRIA
Produções diversas que ampliam o debate sobre a crítica do filme A loucura entre nós e a relação entre Loucura e Psicofarmacologia / Drogas.

Dialogos_do_impossiivelDiálogos do Impossível: Psiquiatria, Psicanálise e Ciência
A obra do Dr. Eduardo Ledo nos propõe uma instigante reflexão sobre o percurso histórico-filosófico no qual o conhecimento produzido pela teoria e prática da psicanálise passou do status de máximo fundamento para a compreensão dos transtornos psiquiátricos a uma posição oposta, consequência do atual objetivismo radical da psiquiatria que se auto intitula científica, vindo a ser considerada um saber quase esotérico, no sentido de um conjunto sistemático de interpretações doutrinárias desvinculadas do real. No capítulo intitulado “O que pode um Antidepressivo?” (disponibilizado nesse link pelo próprio Dr. Eduardo Ledo para o blog do filme A loucura entre nós), são feitas reflexões sobre os últimos trabalhos que questionam a eficácia e os modelos teóricos relativos a psicofármacos.

O Mal-Estar da Pós-Modernidade
O livro de Zygmunt Bauman aborda temas como a universalização do medo, as perdas derivadas da troca da ordem pela busca da liberdade. Liberdade e segurança. Bauman dialoga com o texto O mal-estar da civilização, de Freud, mas também com outros pensadores, como Michel Foucault e Anthony Giddens.

Drogas Psicotrópicas: O Que São e Como Agem
Artigo escrito pelos pesquisadores Elisaldo Araújo Carlini, Solange Aparecida Nappo, José Carlos Fernandes Gauduróz e Ana Regina Noto, aborda os diferentes psicotrópicos, classificação e consequências de uso.

Alcoolismo, Delinquência, Toxicomania – Uma outra forma de gozar
Escrito pelo psicanalista Charles Melman o livro aborda a toxicomania como um sintoma social, inscrita no discurso dominante.

A_Verdade_sobre_os_LaboratoriosA Verdade Sobre os Laboratórios Farmacêuticos
Livro de Márcia Angell é indicado para aqueles que têm interesse em compreender o universo da produção, divulgação e prescrição de medicamentos psiquiátricos. Aborda questões de extrema relevância quando acusa os laboratórios de criar novos mercados e de interferir na categorização das doenças ainda não estabelecidas.

Toxicomanias: Incidências Clínicas e Socioantropológicas
Publicação do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD) em parceria com a Editora da UFBA (EDUFBA), pertencente à Coleção Clínica e Cultura. Os textos apresentados neste livro (artigos, entrevistas), ainda que articulados, não seguem um desenvolvimento sequencial, podendo ser lidos separadamente. Trata-se da abordagem do mesmo tema por campos disciplinares diversos.

ANVISA
Portal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que traz, entre muitas outras coisas, a relação, legislação e informações gerais sobre os medicamentos controlados.

Pequena Enciclopédia da História das Drogas e Bebidas
O papel das drogas, das bebidas e dos alimentos de propriedades psicoativas é de extrema importância econômica, política e cultural, particularmente na história moderna. A busca por eles e as guerras para controlá-los tiveram um grande impacto histórico que atingiu todos os continentes e todas as sociedades. No entanto, pouco se sabe sobre a história particular das drogas – tanto as naturais quanto as sintéticas – e as bebidas – industrializadas ou artesanais – encontradas mundo afora. O livro de Henrique Carneiro traz mais de 150 verbetes contando uma fascinante história que abrange tanto os aspectos históricos quanto científicos de substâncias comuns (ex; tabaco, café, vinho), proibidas (ex; LSD, cocaína, ecstasy) e curiosas (ex; bangüê, bétel, ayahuasca). De maneira clara, concisa, porém abrangente, o autor nos conduz nessa viagem pela história e pela ciência através das histórias privadas das drogas e bebidas.

PAPO ABERTO
Entrevista exclusiva sobre o tema.

Dr_Eduardo_Ledo2Entrevista com Dr. Eduardo Ledo
Falar da relação entre drogas lícitas e a psiquiatria é investigar sobre a maneira como o ser humano lida com a dor da sua própria existência. Mas é também um exercício de reflexão sobre a mercantilização do sofrimento psíquico dentro de um contexto onde a indústria farmacêutica não mede esforços para facilitar a medicalização de todo mal-estar, sem levar em conta os aspectos subjetivos envolvidos em cada caso. Nessa entrevista exclusiva, olhamos de frente para a relação nem sempre saudável entre a psicofarmacologia e o mundo contemporâneo, oferecendo uma rica análise de questões que traduzem novas perspectivas sobre o assunto.

Manuais diagnósticos criam e extinguem doenças a cada dez anos. Qual a relações entre o sofrimento mental e a indústria farmacêutica?
Dr. Eduardo Ledo – A indústria farmacêutica, como todo grupo empresarial, visa o lucro, o que é natural e não é em si um defeito. Ocorre que ela se apropriou convenientemente de um certo modelo médico, no qual as respostas para todo sofrimento se encontra na farmacologia, e se tornou, graças ao seu enorme poder econômico, na variável hegemônica para o desenvolvimento de pesquisas e, sobretudo, na promotora de uma narrativa estritamente biológica que fez tabula rasa de toda uma tradição de estudos da psicopatologia e do desenvolvimento da mais fina clínica psiquiátrica. Hoje ela procura sintomas para os seus remédios. A lógica terapêutica está de cabeça para baixo.

Leia a entrevista completa entrando aqui

Luiz_Alberto_TavaresEntrevista com Dr. Luiz Alberto Tavares
Ele é o nosso entrevistado para falar, por exemplo, sobre os mal-entendidos envolvidos na perigosa relação que comumente se faz entre o uso de drogas e o sofrimento psíquico. Nessa ótima conversa, examina também os caminhos que boa parte da sociedade tem sido induzida a trilhar para se relacionar com todos os limites impostos para encararmos sem medo os tabus envolvendo o tema das drogas.

Qual a relação que o senhor faz entre o uso de drogas e o sofrimento psíquico?
Dr. Luiz Alberto Tavares – Penso que essa relação pode ser situada a partir do mal estar que se instala nos humanos ao terem que renunciar às satisfações irrestritas, impostas pelas exigências civilizatórias, e que se configura como condição estrutural da sua existência. Por serem habitados pela linguagem, tentam, de alguma forma, dar conta da falta e do desamparo daí advindos, o que produz sempre algum sofrimento e os levam, muitas vezes, a produzir sintomas. A droga se constitui então como um recurso, uma solução para atenuar esse mal estar, já que ela pode trazer algum alívio, algum prazer para quem usa. Então, a princípio, a droga não é “causa” de sofrimento, mas, ao contrário, ela visa diminuir um mal estar.

Leia a entrevista completa aqui.

OUTROS OLHARES
Filmes que dialogam com o tema; obras produzidas a partir de temas correlatos.

big-pharmaBig Bucks, Big Pharma
Este documentário de 2006 investiga a multibilionária indústria farmacêutica para expor as formas insidiosas com que as doenças são usadas, manipuladas e, em alguns casos, criadas, visando o lucro, não a saúde dos consumidores. Direção de Amy Goodman.

Marketing of Madness
O documentário “O Marketing da Loucura: Somos Todos Insanos?” revela a aliança altamente lucrativa entre as indústrias farmacêuticas e os psiquiatras na fabricação de doenças mentais com fins lucrativos.

Hora_de_VoltarHora de Voltar
Andrew Largeman (Zach Graff) é um ator de televisão razoavelmente bem sucedido, que vive em Los Angeles e leva sua vida num estado de torpor induzido por lítio há anos, prescrito pelos pais. Após a morte de sua mãe ele decide retornar à sua casa em Garden State; decide também parar de tomar os medicamentos.

Réquiem para um sonho
O roteiro é uma adaptação de um livro de mesmo nome escrito por Hubert Selby Jr. e publicado em 1978. A obra traz personagens com diferentes formas de vícios, conduzindo os personagens ao aprisionamento em um mundo ideal, que é então tomado e devastado pela realidade.

quebrandootabu_cartazQuebrando o Tabu
Documentário mostra vozes diversas em busca de soluções, princípios e conclusões. Depoimentos sobre o aprendizado de pessoas comuns, que tiveram suas vidas marcadas pela Guerra às Drogas, até as experiências de Dráuzio Varella, Paulo Coelho e Gael Garcia Bernal.

Kids
Um dos filmes mais polêmicos dos anos 1990, “Kids” conta a história de adolescentes problemáticos de Nova York que passam as 24 horas do dia bebendo, enrolando baseados, brigando e se envolvendo em relações sexuais desprotegidas e emocionalmente vazias durante a “era do espanto” com o HIV. Foi escrito por Harmony Korine, dirigido por Larry Clark e produzido pelo renomado cineasta Gus Van Sant.

Cortina de Fumaça
Documentário contendo entrevistas nacionais e internacionais com médicos, pesquisadores, advogados, líderes, policiais e representantes de movimentos civis. O jornalista Rodrigo Mac Niven traz a nova visão do início do século 21 que rompe o silêncio e questiona o discurso proibicionista em relação às drogas ilícitas.

Geracao_ProzacGeração Prozac
Elizabeth Wurtzel é uma brilhante estudante, que tem planos de estudar Jornalismo na conceituada universidade de Harvard. Entretanto problemas familiares fazem com que Elizabeth entre em profunda depressão, o que coloca seus planos em risco. Aos poucos suas noites de trabalho, sempre regadas a drogas, e sua instabilidade emocional a afastam de Ruby, sua melhor amiga, e também de seu namorado. Decidida a procurar ajuda profissional, Elizabeth marca uma consulta com a Dra. Diana Sterlin, que lhe receita o antidepressivo Prozac. Direção de Erik Skjoldbjaerg.

A indústria do Orgasmo
A diretora Liz Canner investiga a trajetória das indústrias farmacêuticas na corrida para produzir um remédio contra a disfunção sexual feminina, o que se espera que seja o primeiro “Viagra” para mulheres. Mas, o que promete uma atividade sexual mais intensa para mulheres, garante bilhões de dólares para empresários do ramo.

TheerectionmanThe Erectionman
Armado com uma boa dose de humor, o diretor Michael Schaap, um holandês de 40 anos, descobre um conto sobre a virilidade, a ansiedade e o estado do nosso homem moderno. Ele faz uma investigação sobre o surgimento da disfunção erétil como doença e o lançamento do Viagra em 1998

Tarja Branca
A revolução que faltava. Documentário manifesto sobre o brincar, a infância e da importância de se garantir à criança o direito de brincar.

 

OUTRAS VOZES
Livros, pesquisas e entrevistas para ampliar ainda mais a discussão.

Fórum de Medicalização da Educação e da Sociedade
É um movimento que busca mobilização e conscientização da sociedade contra banalização dos diagnósticos e uso abusivo de medicamentos. Em seu portal, é possível acessar tanto o seu Manifesto, quanto reportagens, textos, vídeos e publicações sobre o assunto.

CEBRID
O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, que funciona no Departamento de Medicina Preventiva da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), é uma entidade sem fins lucrativos e existe exclusivamente para ser útil à população. Para cumprir esta função, o CEBRID organiza pesquisas e reuniões científicas sobre o assunto drogas, publica livros e levantamentos sobre o consumo de drogas entre estudantes, meninos de rua etc. Mantém também um banco de trabalhos científicos brasileiros sobre o abuso de drogas e publica boletins trimestralmente.

A medicalização do sofrimento psíquico: considerações sobre o discurso psiquiátrico e seus efeitos na Educação
Este estudo de Renata Guarido (USP) analisa criticamente as mudanças observadas no tratamento do sofrimento psíquico na história recente, apontando a contribuição de fatores como: a padronização de sintomas trazida pelas sucessivas edições da série DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), os resultados de pesquisas na neurociência – que tentam fundamentar o funcionamento psíquico em bases orgânicas – e o grande desenvolvimento dos psico-fármacos, fruto de maciços investimentos financeiros.

Admiravel_Mundo_NovoAdmirável Mundo Novo
Escrita em 1932 por Aldous Huxley, essa ficção futurista aborda relações de poder e controle. Na história, o soma é a droga que os personagens utilizam a fim de que não ficarem tristes diante de uma realidade extremamente normativa. Revela as potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.

HMS Center for Bioethics
Trata-se de um canal de vídeos da Havard Medical School. Nessa entrevista, a Dr. Marcia Angell, médica, professora e escritora americana, fala sobre o que considera ser a Epidemia de Doença Mental.

Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos Sobre Drogas
Fórum coletivo de debates e reflexão sobre o tema, de abrangência nacional.  Seu portal funciona como um fórum de discussão e intercâmbio científico, dentro de uma visão ampla e multidisciplinar, com divulgação de estudos, teses e dissertações.

VL Levantamento Nacional Sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio
Estudo realizado em 2010 junto às redes pública e privada de ensino nas 27 capitais brasileiras

Neurociências: Consumo e Dependência de Substâncias Psicoativas
Relatório de 2004 da Organização Mundial da Saúde que descreve os conhecimentos das neurociências sobre o consumo e a dependência de substâncias psicoativas ou farmacodependências.

O_AlienistaO Alienista
Conto que Machado de Assis a partir da história de Simão Bacamarte, um médico que retorna a sua cidade de origem com o objetivo de se dedicar aos estudos sobre a loucura. Assim resolve criar um manicômio para internar os doentes mentais que até então viviam encarcerados em suas próprias casas. A história tem um final surpreendente. Questiona os conceitos de razão e loucura.

Relatório Mundial Sobre Drogas – Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crimes – UNODC
Anualmente, o UNODC publica o Relatório Mundial sobre Drogas, que reúne os principais dados e análises de tendências sobre a produção, o tráfico e o consumo de drogas ilegais em todo o mundo. Os dados são compilados pelo UNODC a partir de questionários enviados aos países-membros e compõem um documento de referência para nortear as políticas globais sobre drogas.

Sociedade Fissurada – Para Pensar as Drogas e a Banalidade do Vício
Escrito por Márica Tiburi e Andréa Costa Dias, o livro nos ajuda a refletir sobre a ignorância e a prepotência geral dos julgamentos sobre sujeitos envolvidos com drogas. Traz uma reflexão acerca do sistema social e os dispositivos de poder que capturam indivíduos, contribuindo para colocá-los a serviço das drogas. Ed. Civilização Brasileira

Drogas? Tempos, Lugares e Olhares Sobre seu Consumo
O livro busca ?ampliar o campo de reflexão, colocando as substâncias psicoativas no eixo de um discurso trans e interdisciplinar?, não excluindo portanto da sua análise a consideração do consumo do álcool, ou de qualquer outra droga lícita ou ilícita. De
Alba Riva, Antonio Nery Fo, Edward MacRae, Luiz Alberto Tavares (coord.) e Olga Sá Ferreira. Edufba/Cetad, 2004.

Crack: contextos, padrões e propósitos
A partir do resultado de estudos desenvolvidos pelo CETAD/UFBA, o livro desmistifica concepções recorrentes na mídia e na própria Clínica Médica sobre o consumo e o consumidor de drogas. Organizado pelos professores-doutores Edward MacRae, Luiz Alberto Tavares e Maria Eugênia Nuñez. Edufba/Cetad

NA MÍDIA
Matérias, entrevistas e reportagens relacionadas ao assunto.

Leia aqui as principais matérias publicadas sobre o documentário A loucura entre nós.

A Epidemia de Doença Mental
Artigo de Márcia Angell para a Edição #59 da Revista Piauí, analisando o porquê do crescimento assombroso do número de pessoas com transtornos mentais e de pacientes tratados com antidepressivos e outros medicamentos psicoativos.

Dra. Márcia Angell, em Nova York
Entrevista da jornalista Tania Menai com a Dr. Marcia Angell, médica, professora e escritora americana, que foi diretora de redação de um dos jornais de medicina mais importantes do mundo: o New England Journal of Medicina.

Elogio da loucura
Manuais diagnósticos criam e extinguem doenças a cada dez anos – o resultado é uma explosão da medicalização psiquiátrica, em fina sintonia com o capitalismo industrial. Artigo de Sidarta Ribeiro

A derrota do sujeito, texto introdutório de Por que a psicanálise?, de Elisabeth Roudinesco.
“É justamente a existência do sujeito que determina não somente as prescrições psicofarmacológicas atuais, mas também os comportamentos ligados ao sofrimento psíquico. Cada paciente é tratado como um ser anônimo, pertencente a uma totalidade orgânica. Imerso numa massa em que todos são criados à imagem de um clone, ele vê ser-lhe receitada a mesma gama de medicamentos, seja qual for o seu sintoma.”

Dependência Química – Cocaína e esquizofrenia – Dr. Drauzio Varella
Dr. Drauzio Varella e Dr. Rodrigo Bressan, coordenador do Proesp (Programa de Esquizofrenia da Unifesp), falam sobre a relação entre drogas psicoativas e os sintomas da esquizofrenia.

Drogas S/A
Série documental da National Geographic Channel para a TV, que investiga diversos aspectos ligados ao consumo das drogas ilícitas, desde os efeitos causados no organismo até o tráfico internacional.

Política de Drogas: Mudança de Paradigmas
Palestra de Salo de Carvalho no evento promovido pela LEAP Brasil (Law Enforcement Against Prohibition), organização cuja missão é “é reduzir os inúmeros e danosos efeitos colaterais resultantes da guerra às drogas e diminuir a incidência de mortes, doenças, crimes e dependência, pondo fim à proibição das drogas.” O encontro foi realizado na EMERJ em 04 de abril de 2013.

Sociedade Fissurada com Marcia Tiburi e Andréa Costa Dias
Seminário que foi ao ar na TV Senado Numa inspiração que inclui a escola de Frankfurt e o oportuno e pouco comentado filósofo alemão contemporâneo Christoph Türcke, as autoras deste livro fazem uma feliz parceria entre a filosofia e a psicologia para situar o debate sobre drogas num outro plano, longe da proliferação de discursos moralistas viciados em coação, que é tentar decifrar a compulsão, o círculo vicioso do vício, como uma “ontologia da fissura” que mostra o “controle biopolítico dos estímulos estéticos dos corpos” submetendo a “promessa de uma subjetividade autoconstruída da experiência humana”.

A cura pelas drogas
A Trip TV conversou com Eduardo Schenberg, mestre em psicofarmacologia e doutor em neurociências, que desmitifica e defende o uso dos psicodélicos em tratamentos pós-traumáticos: “O anti-depressivo alivia o sofrimento e então você consegue tocar a sua vida. A medicina psicodélica tem outra abordagem: que você sinta mais esses problemas, lembre mais do trauma – mas comece a sentir diferente.” É possível assistir todos os episódios do ‪#‎TripTV‬ no Youtube e a primeira temporada completa na Netflix.‬‬‬‬‬

Série: As Drogas No Mundo Contemporâneo
Nessa conferência com o psiquiatra Artur Guerra, um histórico do uso do álcool, seu lugar na cultura e na vida das pessoas. Os efeitos do uso e as dificuldades do tratamento. O consumo de alcool entre os adolescentes. As leis e ações de caráter preventivo.  A publicidade e a apologia ao álcool.

Drogas – Maria Rita Kehl
“Por que algumas pessoas conseguem manter um equilíbrio diante da realidade, enfrentando as coisas como elas são, e para outras pessoas a realidade é tão insuportável, a ponto de não conseguirem viver sem ajuda de algum aditivo? Por que alguns se viciam? Onde fica a subjetividade de um sujeito drogado? Por que a cura pela abstinência não funciona?” Palestra e debate com a psicanalista, doutora pela PUC SP Maria Rita Kehl.

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Drogas Fique por Dentro, conversando com Dr Antônio Nery e convidados
Primeiro programa de rádio, em Salvador, com a proposta de discutir questões relacionadas ao uso de substâncias psicoativas. O Professor e Doutor Antônio Nery Filho, e a assistente social e psicóloga Patrícia Flach recebem um convidado para um bate-papo interessante, descontraído e sem preconceitos sobre os mitos, polêmicas, contradições, informações e notícias que envolvem a temática.

A polêmica da internação compulsória
Medida sugerida como política pública para usuários de crack provoca discussões; defensores da proposta argumentam que “um em cada dois dependentes químicos apresenta transtorno mental”, aqueles que discordam citam abusos e ineficácia do procedimento.

Medicalização do Comportamento Infantil
Nesta entrevista o Dr. Daniel Becker pediatra e sanitarista, faz uma análise sobre o abuso  na medicamentação das crianças. Afirma que há uma epidemia de doença mental e que esta é proporcional ao número de medicamentos que surgem a cada nova edição do DSM.  Dr Becker explica como as substâncias psicoativas interferem no funcionamento cerebral. Discute ainda que, a medicalização, quando não prescrita corretamente pode impedir um processo de autorecuperação da criança.

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Café Filosófico: Origens da medicalização da saúde – Naomar Almeida Filho
O conceito de saúde não é trivial e constitui importante lacuna epistemológica no campo das ciências da saúde. Retomar discussões filosóficas, teóricas, metodológicas e praxiológicas sobre saúde, doença e noções correlatas, como vida e qualidade de vida, sofrimento e morte, cuidado e cura. Avaliar três momentos na história que marcam inflexões na construção da medicalização na cultura ocidental: iluminismo racionalista (cabanis — início do século xix); pragmatismo científico (flexner — início do século XX); massificação tecnológica (genômica — início do século xxi). Gravado em 22 de agosto de 2014.

Café Filosófico: Um panorama da medicalização na infância – Rossano Cabral Lima
A proliferação de novos diagnósticos na psiquiatria infantil e juvenil deve ser alvo de investigação crítica, a partir de suas origens nos séculos XIX e XX. É preciso evitar que categorias diagnósticas sejam tomadas como resultado natural do avanço do saber médico, lançando mão do conhecimento oriundo da área das ciências humanas e saúde para apontar os fatores científicos, sociais, ideológicos que sustentam esse fenômeno e avaliar seu impacto na clínica, nas políticas públicas, na escola e na família.

Prescrição de Remédios para Crianças e Adolescentes – Conexão Futura – Canal Futura
Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2012, quase 5% das crianças e adolescentes no mundo sofrem de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. No Brasil, uma campanha feita pelo Conselho Federal de Psicologia, alerta para o uso excessivo de medicamentos que combatem essa doença. Como tratar as crianças que sofrem de TDAH?
Entrevistados: Antônio Geraldo da Silva, Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria; e Ângela Campos, psicóloga. Apresentação: Cristiano Reckziegel. Exibido em 30 de agosto de 2012.

Café Filosófico: Medicalização e liberdade
Encontro com o psiquiatra Ricardo Krause com reflexões importantes sobre a busca da felicidade e as Interações medicamentosas para alterações dos estados emocionais. Aborda historicamente o percurso da humanidade que passa a desejar a felicidade e a evitar a dor.

Café filosófico: As transformações do sofrimento psíquico – Christian Dunker
O objetivo do encontro é abordar as transformações na forma do sofrimento caracterizadas pela impossibilidade de compartilhar e reconhecer narrativamente o mal-estar, por exemplo, soldados que retornam da guerra sem uma história para contar, trabalhadores em silêncio diante da televisão ou sintomas ascendentes, como o mutismo seletivo e a inibição da fala pública. O declínio da capacidade de compartilhar narrativamente experiências de sofrimento sugere que este sujeito pós-traumático está às voltas com a nomeação do mal-estar que lhe aparece como indeterminação e anomia, mas também com a excessiva disponibilidade para reduzir toda forma de sofrimento a sintomas codificados (depressões, pânicos, distúrbios de atenção etc.).

Café Filosófico: Patologias Contemporâneas
Fernanda Pacheco Ferreira, psicanalista e doutora em psicologia clínica, aborda os transtornos de ansiedade, pânico, fobia e compulsões e como fenômenos tornaram-se tão frequentes a ponto de serem tomados como uma espécie de marca registrada da contemporaneidade.

Como seria uma sociedade de indivíduos saudáveis?
O capítulo de Vancouver do Zeitgeist Movement (Movimento Zeitgeist) apresenta o Dr. Gabor Maté numa apresentação intitulada “O que promove uma saúde positiva?”

O Mito da Normalidade
Dr. Gabor Maté reflete sobre a normalidade na sociedade contemporânea.

Acordei Doente Mental
Texto de Eliane Brum (jornalista, escritora e documentarista) publicado na Revista Época logo após a divulgação da quinta edição do DSM-5, a chamada “Bíblia da Psiquiatria”.

Sociedade Dopada por Psicotropicos! Pequenas Sociedades Secretas. Todo Mundo Dopado, Dopa-Minado
Texto escrito pelo diretor teatral Gerald Thomas, publicado em seu blog.

Canal_Futura

Canal Saúde Oficial da Fio Cruz
Série de entrevistas abordando o tema da medicalização e normatização da vida, do ponto de vista de diferentes profissionais. Entre elas, está o debate Medicamentalização do Comportamento, que reúne o pesquisador da LAPS/ Fiocruz, Fernando Freitas, a psiquiatra da UERJ, Sandra Fortes e o co-fundador da Sobravime José Augusto Cabral de Barros, para  analisar as mudanças radicais que levaram à hipertecnologia e hipervalorização do medicamento.

Quem Ganha com a Medicalização do Comportamento?
Entrevista com Marilene Cabral Do Nascimento, socióloga e doutora, professora em saúde coletiva na Universidade Federal Fluminense. Aborda o consumo indiscriminado e a tendência de patologizar a vida.  Discute de que modo o contexto acelerado, competitivo, da produção em massa, do status material contribui para este processo. Chama a atenção para os efeitos adversos e a dependência física e psicológica dos medicamentos.

Romper Práticas Medicalizantes: Um Desafio para a Educação
Debate no IV Seminário Internacional a Educação Medicalizada: Desver o Mundo, Perturbar os sentidos realizado de 01 a 04 de Setembro de 2015, em  Salvador.

Entre Aspas
Programa da Globo News que, nessa edição, promove um debate sobre a igreja e a legalização das drogas, com os psiquiatras Henrique Carneiro e Artur Guerra.

Legalização da Maconha no Uruguai
Programa Observatório da Imprensa com a participação da filósofa e psicanalista Viviane Mosé, do psiquiatra especialista em dependência química Jorge Jaber, do desembargador Wálter Maierovitch e do diretor de Redação da Revista Superinteressante Denis Russo Burgierman. O programa também contou com a participação do sociólogo e ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.