Universo Psi nos cinemas!

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Bons sinais: três filmes atualmente em cartaz nos cinemas do Brasil têm a psicanálise como tema central de suas histórias, oferecendo uma rica – e nem tão comum assim – oportunidade para todos aqueles que se identificam e/ou trabalham com o universo Psi acessarem novas maneiras de interagir com a questão.

A loucura entre nós, é claro, é um deles, e traz reflexões de pessoas que tentam restabelecer seus laços com a sociedade após passagens pelo hospital psiquiátrico Juliano Moreira, em Salvador. O documentário de Fernanda Fontes Vareille vem recebendo ótimas críticas tanto de psicanalistas quanto da imprensa e mantêm-se em várias cidades brasileiras após surpreendentes sete semanas de exibição! Nesse blog, inclusive, o filme criou capítulos temáticos para ampliar o debate e a pesquisa sobre temas que dialogam com o filme, através de entrevistas exclusivas e dicas de filmes, leituras e reportagens. Acesse o material completo nesse link!

Outro documentário que acaba de estrear nos cinemas brasileiros é Hestórias da Psicanálise – Leitores de Freud, com roteiro e direção de Francisco Ronald Capoulade Nogueira. O filme parte da obra de Sigmund Freud para entrevistar diversos profissionais que usam suas teorias e pensamentos para tratar de cultura, história, traduções, identidades e linguagem. São acadêmicos de todo o mundo –  principalmente do Brasil – que oferecem novos pensamentos e caminhos para o grande corpo de escritos científicos do austríaco.

O terceiro filme é o único de ficção: Nise – O Coração da Loucura, de Roberto Berliner. Baseado na vida da Dra. Nise da Silveira, narra seu caminho para propor uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia dos hospitais psiquiátricos brasileiros. Como seus colegas de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam, resta a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma nova forma de lidar com os pacientes, através do amor e da arte. Nise – O Coração da Loucura também caiu nas graças do público é um dos recentes sucessos do cinema nacional.

Nos três casos, são reveladas subjetividades que permeiam a psicanálise, com discussões que estão além do campo psicanalítico. Assim, os três filmes podem – e devem – ser vistos por todos, mesmo aqueles que não possuem uma relação direta com as histórias mostradas. Afinal, existe alguém que pertença realmente a essa categoria…?!

Programação da 7ª semana!

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Chegamos à sétima semana em cartaz, atingindo a marca de 10 cidades por onde o filme A loucura entre nós marca presença. Esse é um resultado excelente para um documentário brasileiro independente e toda a equipe do filme está muito feliz com a resposta do público e dos distribuidores!

Para comemorar, chegamos a duas novas cidades essa semana: Maceió e Florianópolis, que dividem com Salvador e Volta Redonda a programação entre os dias 15 e 21 de setembro! Florianópolis ganhará ainda duas sessões com direito a debates, numa promoção da Escola Brasileira de Psicanálise – Seção SC.

Confira aqui as cidades, escolhendo as salas e horários que melhor se adequam à sua agenda!

MACEIÓ:
Cine Arte Pajuçara | Todos os dias, às 18h40 (não haverá sessão no dia 19/09) Link para o cinema

FLORIANÓPOLIS:
Fundação Catarinense de Cultura/Cinema do CIC
Dia 15/09, às 20h (sessão sem debate)
Dia 17/09, às 15h (sessão seguida de debate com Dr. Marcelo Veras, Dra. Adriana Rodrigues e Dr. Henrique Borges Tancredi)
Dia 17/09, às 20h (sessão sem debate)
Fundação Cultural BADESC
Dia 16/09, às 19h (sessão seguida de debate com Dr. Marcelo Veras e Dra. Adriana Rodrigues)
Saiba mais sobre as sessões especiais em Florianópolis nesse link.

SALVADOR:
Saladearte Cinema do Museu | Qui, Sex, Dom e Quarta, às 15h10 Link para o cinema

VOLTA REDONDA:
Cine GACEMSS | Todos os dias, às 21h (não haverá sessão no dia 17/09) Link para o cinema

Vamos ao cinema? Somente a presença do público pode garantir a permanência do filme no circuito comercial de sua cidade!

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A loucura em Floripa!

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A loucura entre nós finalmente vai estrear em Florianópolis nessa semana, com exibições programadas para os dias 15, 16 e 17 de setembro, numa promoção da Escola Brasileira de Psicanálise – Seção SC, e apoio do Centro Cultural BADESC, Fundação Catarinense de Cultura- Cinema do CIC e Universidade do Sul de SC – UNISUL.

No dia 16, inclusive, o público poderá participar, após a sessão das 20h na Fundação Cultural BADESC, de um debate com os psicanalistas Marcelo Veras (autor do livro homônimo que inspirou a produção do filme) e Adriana Rodrigues (coordenadora do Núcleo de investigação sobre psicose/EBP-SC). Já no dia 17/09, o debate acontecerá a pós a sessão das 15h no CIC com a participação dos psiquiatras Marcelo Veras, Adriana Rodrigues e Henrique Borges Tancredi.

A loucura entre nós é um documentário dirigido pela cineasta baiana Fernanda Fontes Vareille. O filme faz um recorte extremamente poético sobre a vida de mulheres com passagem pelo hospital psiquiátrico Juliano Moreira, em Salvador, cujos depoimentos, histórias e relações, retratados sem filtros ou julgamentos, propõem reflexões sobre os caminhos, ganhos e perdas que cada um de nós vive na busca por uma possível “normalidade”. A obra quebra o isolamento de pessoas que vivem nos limites de ruptura com a realidade, dando-lhes voz para abrir uma discussão sobre os paradoxos da reinserção da loucura no mundo em geral.

O filme estreou no último dia 04 de agosto e já passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Aracaju, Belo Horizonte, Volta Redonda e Vitória, e está gerando ótimas críticas, tanto da imprensa quanto de importantes nomes ligados à psiquiatria brasileira.

As exibições em Florianópolis serão nos seguintes locais e horários:

15 set. 2016, quinta-feira, 20h.
Fundação Catarinense de Cultura/Cinema do CIC
Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômia, Florianópolis – SC, fone (48) 36642622
Lugares disponíveis: 137. Entrada gratuita, sem necessidade de inscrição. Sessão normal, sem debate.

16 set. 2016, sexta-feira, 19h.
Fundação Cultural BADESC – R. Visc. de Ouro Preto, 216 – Centro, Florianópolis – SC, Fone (48) 32248846.
Exibição e debate com a presença de Marcelo Veras e participação de Adriana Rodrigues (psicanalista, coordenadora do Núcleo de investigação sobre psicose/EBP-SC)
Lugares disponíveis: 45 / Entrada gratuita, sem necessidade de inscrição (por ordem de chegada). Evento no Facebook aqui.

17 set. 2016, sábado, às 15h.
Fundação Catarinense de Cultura/Cinema do CIC – Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômia, Florianópolis – SC, fone (48) 36642622.
Às 15h: Exibição e debate com a presença de Marcelo Veras, Adriana Rodrigues (psicanalista, coordenadora do Núcleo de investigação sobre psicose/EBP-SC) e Dr. Henrique Borges Tancredi (psiquiatra)
Lugares disponíveis: 137. Entrada gratuita, sem necessidade de inscrição (por ordem de chegada)

17 set. 2016, sábado, às 20h.
Fundação Catarinense de Cultura/Cinema do CIC – Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômia, Florianópolis – SC, fone (48) 36642622.
Lugares disponíveis: 137. Entrada gratuita, sem necessidade de inscrição. Sessão normal, sem debate.

Críticas do público!

A loucura entre nós está reunindo cada vez mais comentários positivos do público no portal Filmow, o que vem garantindo uma excelente média de avaliação  dos nossos críticos mais importantes: o público! O Filmow é uma grande rede social que tem como objetivo unir fãs de cinema, compartilhar opiniões sobre filmes, ajudar você descobrir novos filmes.

filmow

Lá você pode encontrar, por exemplo, comentários como o de Renato Oliveira:

“À princípio, parece inevitável dizer que este documentário é essencial à estudantes e profissionais da área da saúde. Mas vai além disso, pois a pertinência do tema abordado torna-o fundamental à todo tipo de público. A doença mental é exposta de maneira realista e contextualizada, o que permite uma experiência de aproximação do sofrimento psíquico dos principais entrevistados, em especial, de Elisângela e Leonor. É um ensaio atual sobre a realidade da internação, mas o que se destaca, mais ainda, foi a iniciativa em mostrar situações do cotidiano dessas duas mulheres quando retornam para suas casas. Pode-se testemunhar o desejo delas por uma perspectiva de superação. Acima de tudo, é uma excelente exposição daquilo que parece abstrato: a singularidade da loucura.”

Ou como o de Mariana Berttoni:

“Que documentário lindo, me identifiquei muito com a dita loucura de Leonor, assisti no centro cultural de Mogi e o Marcelo estava lá pra debater um pouco sobre essa temática, as falas dele inspiraram a mim e a um amigo. É um tema muito amplo colocado de modo muito sensível nos quase 80 minutos de filme, o que a Fernanda fez foi lindo, me emocionei e fiquei muito tocada. Indico muuuito…”

Ou ainda, o de Rodrigo Veninno:

“Assisti hoje no Espaço Itaú, o maravilhoso “A Loucura Entre Nós”, cuja missão consiste em mostrar que a loucura é mais normal e simples do que imaginamos. O documentário quebra aquele grande preconceito de que pessoas consideradas loucas, não possuem consciência de seus atos ou pensamentos, alguns depoimentos provam que pessoas consideradas “loucas” são mais sensatas do que nós considerados “normais”. O clima do documentário é bem leve e poético até, mostrando que pessoas com distúrbios também são humanas, também possuem emoções e também podem ser magoadas.”

Faça você também também um comentário no Filmow sobre A loucura entre nós! Totalmente de graça, qualquer pessoa pode se cadastrar e sair usando o Filmow. Confira nesse link!

Sexta semana em cartaz!

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Setembro está a mil e A loucura entre nós continua em cartaz, jogando luz – e desfazendo nós – nas várias camadas que compõem os sempre intrincados discursos sobre o sofrimento mental. Essa semana o filme estreia em Belo Horizonte e Volta Redonda, enquanto negocia para chegar a novas cidades em muito breve…

Quer saber onde o filme vai passar entre 08 e 14 de setembro? É só conferir aqui as cidades, escolhendo as salas e horários que melhor se adequam à sua agenda!

SÃO PAULO: Caixa Belas Artes | Todos os dias, às 13h50 – Link para o cinema
OBS: Não haverá exibição na terça-feira, dia 13/09

SALVADOR: Saladearte Cinema do Museu | Todos os dias, às 19h35 – Link para o cinema

Belo Horizonte: Usiminas Belas Artes | Todos os dias, às 14h – Link para o cinema

Volta Redonda (RJ): Cine GACEMSS | Todos os dias, às 20h50 – Link para o cinema

Para quem ainda não viu, fica aqui o convite para ir já ao cinema assistir A loucura entre nós; para quem já viu, lembramos mais uma vez para divulgar o filme aos amigos, já que somente a presença do público pode garantir a permanência do filme no circuito comercial de sua cidade!

Programação entre 01 e 07/09!

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Estamos entrando no segundo mês em cartaz do filme A loucura entre nós! Essa é uma vitória coletiva de todos nós, equipe e público, que mantivemos vivo o interesse no universo e nas vozes que contam nossa história! É também uma vitória surpreendente para um documentário independente, com um tema tão delicado.

E se o filme sai de cartaz do Rio, ele permanece com exibições em São Paulo, Salvador e Aracaju entre os dias 01 e 07 de setembro – e com a promessa de estrear em Maceió e Volta Redonda a partir do dia 08/09!

Mais uma vez, é bom prestar atenção para o fato de que a programação do filme tem horários distintos, dependendo do cinema e de alguns dias da semana. Então, o melhor mesmo e conferir aqui as cidades, escolhendo as salas e horários que melhor se adequam à sua agenda!

SÃO PAULO: Caixa Belas Artes | Todos os dias, às 14h – Sala 4 Link para o site do cinema
OBS: Não haverá exibição na terça-feira, dia 06/09

SALVADOR:
Saladearte Cinema do Museu | Todos os dias, às 19h40 Link para o site do cinema
Saladearte Paseo | Dia 07 de setembro, às 11h25 – Sala 2 Link para o site do cinema

ARACAJU: Cine Vitória Link para o site do cinema
Sábado, 03/09 – 15h
Terça, 06/09 – 16h

Em breve, novas cidades entrarão no circuito. Aos que estão em Aracaju, Salvador e São Paulo mais uma vez reforçamos: somente a presença do público é capaz de garantir a permanência do filme no circuito comercial de sua cidade! Vamos ao cinema?

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Um mês em cartaz!

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As notícias boas não param de chegar: A loucura entre nós completa um mês em cartaz com um ótimo público e, assim, mantém a sua programação ativa em quatro estados entre os dias 25 e 31 de agosto. Sem novas cidades essa semana, o filme continua disponível para o público de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Aracaju, mas já se prepara para chegar a novas capitais em muito breve!

Atenção: a programação do filme em algumas cidades não é contínua, ou seja, não tem sessões todos os dias e pode acontecer também em horários distintos a cada dia. Então, o melhor mesmo e conferir aqui as cidades, escolhendo as salas e horários que melhor se adequam à sua agenda!

SÃO PAULO
Caixa Belas Artes | Todos os dias, às 14h – Sala 4 Link para o site do cinema
OBS: Só não haverá sessão na terça-feira, dia 30/08

RIO DE JANEIRO
Estação Net Botafogo | Todos os dias, às 15h – Sala 2 Link para o site do cinema

SALVADOR
Espaço Itaú Glauber Rocha | Todos os dias, às 19h – Sala 4 Link para o site do cinema
Saladearte Paseo | Todos os dias, às 19h – Sala 2 Link para o site do cinema
Saladearte Paseo | Terça e quarta, às 19h15 e às 21h – Sala 1 Link para o site do cinema

ARACAJU
Cine Vitória Link para o site do cinema
Sábado – 17h
Terça – 14h
Quarta – 18h

Em breve, novas cidades entrarão no circuito. Aos que estão em Aracaju, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, é bom lembrar: somente a presença do público é capaz de garantir a permanência do filme no circuito comercial de sua cidade. Então, para quem ainda não viu, fica aqui o convite para ir já ao cinema assistir A loucura entre nós; para quem já viu, vamos continuar indicando o filme aos amigos, divulgando nossa programação nas redes sociais e garantindo que a subjetividade de cada vida registrada na obra ganhe ainda mais espaço para reverberar.

Perturbador-

Terceira Semana em cartaz!

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A loucura entre nós está entrando em sua terceira semana em cartaz em vários cinemas do país, o que representa mais uma conquista do público, que vem desempenhando um papel fundamental para o sucesso do filme. Dessa vez, as cidades de Aracaju e Niterói se juntam a Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória, que também passam por pequenas alterações na exibição do documentário.

Atenção: a programação do filme em algumas cidades não é contínua, ou seja, não tem sessões todos os dias e pode acontecer também em horários distintos a cada dia.

Quer saber onde o filme vai passar entre 18 e 24 de agosto? É só conferir aqui as cidades, escolhendo as salas e horários que melhor se adequam à sua agenda!

SÃO PAULO
Caixa Belas Artes | 14h40 – Sala 5 Link para o cinema
OBS: Não haverá sessão na terça, dia 23/08

RIO DE JANEIRO
Estação Net Botafogo | 13h45 – Sala 2 Link para o cinema

SALVADOR
Saladearte Paseo | 19h35 – Sala 1 Link para o cinema
Espaço Itaú Glauber Rocha | 13h30, 15h10 e 19h – Sala 4 Link para o cinema
Saladearte Cinema da UFBA | 21h Link para o cinema

VITÓRIA
Cine Metrópolis  Link para o cinema
Quinta – 18h40
Sexta – 18h40
Sábado – 15h30
Segunda – 18h40

ARACAJU
Cine Vitória  Link para o cinema
Quinta – 17h
Sábado – 15h
Domingo – 17h10
Quarta – 14h

NITERÓI
Cine Arte UFF | Sex, Dom e Ter, às 21h Link para o cinema

Em breve, novas cidades entrarão no circuito. Aos que estão em Aracaju, Niterói, Vitória, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, é bom lembrar: somente a presença do público é capaz de garantir a permanência do filme no circuito comercial de sua cidade. Então, para quem ainda não viu, fica aqui o convite para ir já ao cinema assistir A loucura entre nós; para quem já viu, essa é a hora de indicar o filme aos amigos, divulgar nossa programação nas redes sociais e garantir que a subjetividade de cada vida registrada na obra ganhe ainda mais espaço para reverberar.

Vencedores do concurso!

“A loucura entre nós‬ me colocou de frente com minha humanidade; num olhar (e olhar é tema gritante pra mim no filme) que me pergunta que loucura estamos, como sociedade e como indivíduos, dispostos a conviver. Se de louco todos temos um pouco, o que torna uma loucura aceitável e outra assombrosa? Foi duro, intenso nos momentos em que a loucura exibida na tela se mistura aos meus próprios monstros, mas ele é de uma realidade poética que te estarrece e te encanta! ♡‬‬‬‬‬‬”

Essa foi a declaração de Deborah Costa, uma das cinco vencedoras do concurso que fizemos nas redes sociais do filme A loucura entre nós, durante a primeira exibição nos cinemas do Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. A ideia era saber as sensações, emoções e pensamentos despertados no público logo após a sessão do documentário. Muitas pessoas descreveram desde o despertar de uma conexão com questões pessoais e experiências próximas, até reflexões novas surgidas a partir das questões propostas pela obra. A todas essas pessoas, nosso muito obrigado pela atenção e disposição em integrar nossa rede que quer trazer o tema do sofrimento mental para o centro das discussões importantes em nossa sociedade.

Além de Deborah (SP), mais quatro pessoas tiveram seus depoimentos selecionados para receber em casa um exemplar do livro “A loucura entre nós”, do psicanalista Marcelo Veras: Camila Costa (BA), Cauan Reis (BA), Izabella Rieiro (RJ) e Felipe Ronchini (RJ).

Capa2Motivado pela experiência de muitos anos na direção do Hospital Juliano Moreira, em Salvador, Dr. Marcelo criou uma obra onde o tema da loucura é abordado a partir da observação de campo, da teoria e da experiência clínica.

No início, a reforma psiquiátrica no Brasil e a teoria lacaniana das psicoses ganham o livro. Em especial, as mudanças ocorridas com as experiências de Juliano Moreira em tratamentos open door, com os pacientes inseridos na comunidade e não trancados em isolamento nos hospitais. Depois, também apresenta casos de pacientes com longo histórico de internações psiquiátricas, que puderam inventar novas formas de lidar com sua condição e transitar livremente pela cidade, sem que fosse preciso retornar a um hospital.

“Ele descreve um universo que me inspirou”, lembra Fernanda, para quem a ideia de realizar o documentário homônimo surgiu a partir do contato com a obra. “Mas o filme mostra o meu encontro com as pessoas, com o hospital”. O documentário, portanto, tem o livro do Dr. Marcelo Veras como ponto de partida para o encontro com as personagens.

Para mais informações sobre o livro, entre no site da editora Contracapa!

Entrevista: Dr. Luiz Alberto Tavares

As discussões envolvendo todas as dimensões relativas às drogas lícitas e ilícitas são algumas das que mais carregam preconceitos. E certamente qualquer forma de estigmatização do usuário, feita a partir de critérios normativos e moralistas, em nada contribui para o debate maduro sobre a maneira como as pessoas vêm se apropriando das drogas para uso recreativo ou para aplacar alguma dor.

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“O uso de substâncias psicoativas está inscrito na pauta cultural da humanidade ao longo de toda sua história e, portanto, não há como banir o seu uso. Diria mesmo que não existem sociedades sem drogas”, lembra o Dr. Luiz Alberto Tavares, psiquiatra e psicanalista baiano com formação em Psicopatologia da Infância e Adolescência (Universidade Paris Nord – França) e coordenador do Conselho Editorial, do Fórum Interinstitucional sobre Adolescência e Drogas e do Grupo de Atenção e Investigação da Adolescência (GAIA), do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD).

Autor de livros e artigos sobre o tema, Dr. Luiz Alberto atua também como docente e orientador do curso de especialização em Atenção Integral ao Consumo e Consumidores de Álcool e outras Drogas (CETAD-UFBA). Ele é o nosso entrevistado para falar, por exemplo, sobre os mal-entendidos envolvidos na perigosa relação que comumente se faz entre o uso de drogas e o sofrimento psíquico. Nessa ótima conversa que integra o capítulo sobre Loucura e Psicofarmacologia / Drogas do blog A loucura entre nós, examinamos também os caminhos que boa parte da sociedade tem sido induzida a trilhar para não ter que encarar de frente – e sem medos – os tabus envolvendo o tema das drogas.

Qual a relação que o senhor faz entre o uso de drogas e o sofrimento psíquico?

Dr. Luiz Alberto Tavares – Penso que essa relação pode ser situada a partir do mal estar que se instala nos humanos ao terem que renunciar às satisfações irrestritas, impostas pelas exigências civilizatórias, e que se configura como condição estrutural da sua existência. Por serem habitados pela linguagem, tentam, de alguma forma, dar conta da falta e do desamparo daí advindos, o que produz sempre algum sofrimento e os levam, muitas vezes, a produzir sintomas. A droga se constitui então como um recurso, uma solução para atenuar esse mal estar, já que ela pode trazer algum alívio, algum prazer para quem usa. Então, a princípio, a droga não é “causa” de sofrimento, mas, ao contrário, ela visa diminuir um mal estar. Entretanto, para alguns, na impossibilidade de construir outras saídas, de estabelecer outros laços sociais, a droga se inscreve em um mais além do prazer. Condição essa em que certos sujeitos ficam absolutamente capturados pelo objeto de consumo. Ao invés de consumi-lo, são na realidade consumidos por ele. Pensam que elegeram um objeto para aplacar seu mal estar existencial, mas, paradoxalmente, passam a ser comandados por ele numa condição de absoluta dependência.

Quais são as relações entre o uso de substâncias psicoativas e o surto psicótico?

Dr. Luiz Alberto Tavares – Como disse, a droga não é “causa”, mas ela pode ser reveladora de algumas condições da estrutura do sujeito. Temos certamente que levar em conta os efeitos químicos do produto de consumo e o modo como estes afetam o corpo. A forma como cada um se relaciona com esse corpo, habitado pela linguagem, vai determinar sempre respostas singulares. O uso, por exemplo, de drogas estimulantes ou alucinógenas pode produzir efeitos psíquicos de bem estar transitório para alguns usuários, mas, para outros, esse uso pode levar a uma ruptura devastadora nessa relação do corpo com a linguagem, desencadeando uma psicose que até então se mantinha silenciosa, estabilizada.

Como o senhor tem visto a abordagem dos usuários de drogas no contexto atual em nosso meio?

Dr. Luiz Alberto Tavares – No inicio da última década o Ministério da Saúde estabeleceu que os usuários de drogas fossem atendidos nos diversos níveis de atenção da rede pública de saúde. Entretanto, o que se verificou, ao longo desses anos, e o que observamos na nossa prática institucional com esses usuários, foi uma grande resistência dos serviços e de alguns profissionais de saúde para acolherem esses pacientes, movidos pelo medo, pelo preconceito e, sobretudo, pela desinformação – o que provocou um aumento da demanda para os chamados CAPS ad (álcool e drogas) criados nessa mesma época. É preciso constatar que na atualidade a oferta desses serviços especializados é muito inferior à demanda existente, determinando uma precária cobertura assistencial. Não é a toa que certas vertentes religiosas encontram aí um terreno fértil para sua expansão, ao oferecerem uma explicação e um modo simples de abordar essa questão: a expulsão de demônios e a substituição da droga pela promessa de salvação. Intervenções preocupantes do ponto de vista ético, respaldadas nessa interpretação moral do fenômeno, e com métodos que atentam contra os direitos humanos e as liberdades individuais, têm sido propostas por parte de alguns segmentos religiosos, que vêm, inclusive, ganhando espaço e apoio no âmbito político para a sustentação das suas ações.

Os preconceitos e tabus em relação ao uso de drogas ilícitas é um entrave na abordagem de indivíduos dependentes que precisam de atendimento?

Dr. Luiz Alberto Tavares – As abordagens sobre o consumo de drogas ilícitas em nossa cultura se revestem frequentemente de um tom alarmista que, longe de contribuir para o avanço da compreensão do fenômeno, tem prejudicado a concepção de politicas públicas mais apropriadas para lidar com a questão. Vemos isso com os usuários de crack, atribuindo-se muitas vezes à substância o incremento da violência, o que ratificaria o caráter perigoso da droga. Trabalhos etnográficos e pesquisas no campo da sociantropologia com usuários vivendo nas ruas revelam, através de suas histórias, que estes já estão excluídos do ponto de vista social e subjetivo antes mesmo do uso da droga. Algumas abordagens ao tomar a droga como um mal em si, como causadora de um “comportamento desviante”, focam suas práticas em medidas higienistas ou visam, de forma simplista, uma “adequação” do usuário à norma, geradora de uma exclusão ainda maior. Assim, fica evidente a importância de intervenções que levem em conta não apenas o caráter danoso do produto, mas também as condições sociais, culturais e subjetivas geradoras de vulnerabilidades nesses casos. Como estes usuários têm pouco ou nenhum acesso aos serviços de saúde, são relevantes os projetos avançados de atenção às populações que vivem nas ruas, realizados por profissionais capacitados de instituições e equipes de serviços públicos com larga experiência nessa área de atuação.

O discurso de que o uso recreativo de qualquer substância psicoativa seria a “porta de entrada” para toda sorte de vícios e hábitos nocivos à própria saúde – e à sociedade – ainda faz sentido nos dias de hoje?

Dr. Luiz Alberto Tavares – Trata-se de um equívoco, de uma ideia pré-concebida, atribuir que a experimentação de uma droga possa determinar ou mesmo levar inevitavelmente ao uso de uma outra droga, que seria, por consequência, “mais danosa”. Já escutei diversas vezes familiares ou mesmo profissionais dizerem: o problema da maconha é que ela pode levar ao uso da cocaína! Outra ideia equivocada é de que o uso, mesmo experimental, da droga pode transformar o indivíduo em uma pessoa ruim ou violenta. Estaríamos aqui no terreno do absoluto privilégio do produto e seus efeitos, em detrimento do contexto sociocultural, das motivações daquele que usa e, sobretudo, da singularidade de cada uso. Esse argumento sustenta-se numa perspectiva alarmista, da “pedagogia do terror”, da “luta contra a droga”, muito utilizado em determinadas campanhas ditas educativas, mas que nunca funcionaram.  É preciso fazer um deslocamento do produto, do objeto do consumo, para verificar a posição do sujeito que consome e o que busca nesse endereçamento que faz à droga.

Em relação ao uso de drogas ilícitas, como o senhor tem se posicionado frente às questões da liberação?

Dr. Luiz Alberto Tavares – Uma primeira questão a ser posta é de que não se trata de uma mera liberação. As experiências em alguns países apontam para uma descriminalização do usuário e para uma legalização em que o Estado possa regular os locais para a venda, possa definir a idade para aquisição do produto, além de controlar a qualidade das substâncias vendidas, dentre outros aspectos. Tenho me colocado favorável à legalização por entender que a criminalização leva a uma marginalização e uma estigmatização do usuário, que o afasta do acesso à informação e aos serviços de atenção à saúde. Além disso, a legalização retiraria o usuário e os pequenos traficantes do circuito do crime organizado, que resulta frequentemente no encarceramento de uma população jovem (majoritariamente negra e pobre), e no incremento da violência com o assombroso extermínio dessa mesma população. Argumenta-se com frequência que a legalização aumentaria o consumo de drogas. Na Holanda, por exemplo, onde as leis do uso da maconha são menos repressivos, o seu uso entre os jovens é um dos menores da Europa.

Nesse sentido, nossa sociedade tem feito escolhas bem equivocadas nas questões envolvendo a prevenção dos efeitos causados pelas drogas…

Dr. Luiz Alberto Tavares – Eu diria que o termo prevenção é sempre problemático quando nos referimos ao consumo de drogas, pois ele pressupõe que determinada ação deixe de ocorrer para que se evitem as consequências indesejáveis dessa ação. O uso de substâncias psicoativas está inscrito na pauta cultural da humanidade ao longo de toda sua história e, portanto, não há como banir o seu uso. Diria mesmo que não existem sociedades sem drogas. Verificamos também a complexidade desse fenômeno, com seus variados modos e contextos de consumo, cujas intervenções devem ser cuidadosas e levar em conta as particularidades desses usos. Uma questão a ser considerada é de que muitas abordagens preventivas preconizam a abstinência como um ideal a ser atingido, baseado, sobretudo, em pressupostos morais e normativos. O paradigma proibicionista de combate às drogas, construído historicamente e marcado por fortes interesses econômicos, sustenta essa direção, que tem se mostrado ineficaz em diversas experiências. Nesse sentido, a perspectiva de atenção baseada na redução de riscos e danos, ao levar em conta esses diversos contextos do uso, faz um giro importante ao propiciar que o usuário amplie os conhecimentos e informações sobre as substâncias de consumo, seus efeitos e riscos, sem que se prescreva necessariamente a abstinência do produto como uma condição para uma intervenção. O ponto que me parece fundamental nessa perspectiva de trabalho é que isso implica o sujeito numa condição ética de escolha e responsabilização pelo seu uso.

O que o senhor acha que as pessoas ainda deveriam saber sobre uso de drogas psicoativas?

Dr. Luiz Alberto Tavares – Essa é uma pergunta muito ampla. Talvez o aspecto que gostaria de retomar é que existe um vasto espectro de usos e usuários. Muitas pessoas consomem drogas e não buscam ou não precisam necessariamente de tratamento. Entretanto, existem outras que se colocam numa relação de dependência avassaladora e resistem a qualquer tipo de abordagem que implique na renúncia a essa prática. Equivocadamente, o senso comum diz que elas não querem ou mesmo que não escolhem a via do bem, situando essa escolha numa dimensão moral. Não é que não queiram deixar de usar drogas. A questão é que não podem fazer essa escolha. Não podem, a princípio, abrir mão desse recurso que visa aplacar uma dor insuportável.  Se pudermos nos debruçar sobre essa dimensão ética da escolha talvez possamos nos aproximar, acolher ou escutar sem preconceitos e, talvez, possibilitar algum encontro para a construção de outras saídas além do ato de drogar-se.

Quer saber mais sobre o assunto? Confira nesse link uma entrevista do Dr. Luiz Alberto Tavares para o programa Drogas, fique por dentro!, primeiro programa de rádio, em Salvador, com a proposta de discutir questões relacionadas ao uso de substâncias psicoativas. Ele é apresentado pelo Dr. Antonio Nery Filho e Patrícia Flach.