Garanta seu ingresso já!

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Por causa do sucesso mesmo antes da exibição de A loucura entre nós no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que fez acabar rapidamente os ingressos para as duas salas disponibilizadas ao filme no festival, a produção do Panorama acaba de abrir outra sala (a terceira!) para a nossa sessão do dia 31 de outubro de 2015 (próximo sábado) no Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha (na Praça Castro Alves, em Salvador).

Então, se você não quiser perder a chance de viver nossa estreia na capital baiana ao lado de nossa equipe, recomendamos garantir já o seu ingresso na bilheteria do Espaço Itaú de Cinema. A inteira é R$ 10,00 e a meia é R$ 5,00. Existe ainda o passaporte econômico, que dá direito a dez filmes do Panorama!

Após a sessão, haverá um debate em uma das salas, com a presença da diretora Fernanda Fontes Vareille, da produtora Amanda Gracioli e do Dr. Marcelo Veras (autor do livro homônimo que inspirou o filme).

A loucura entre nós participa da Competitiva Baiana do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema e tem patrocínio da Petrobahia e da Carbocloro (através do artigo 1° A da Lei 8685/93, Lei do Audiovisual).

Olhar sobre a loucura

Quando a gente pensa que a loucura é uma coisa que está muito longe da gente, ou algo que a gente não quer saber muito do que se trata, percebemos o quanto estamos próximos dela, o quanto ela nos atinge de uma maneira muito mais forte do que a gente pensa. Afinal, quem vê a “loucura” de A loucura entre nós? Uma grande parte do filme é passada com uma câmera estanque, mostrando um quadro que deve mostrar algo que está fora desse quadro e que, no fundo, está dentro (de cada um de nós?). É o brincar com o fora e o dentro, e com aquilo que podemos chamar de “a reversibilidade do olhar”. Afinal, o olhar não é só aquilo que a gente olha… Ele também reverte sobre nós.

A loucura entre nós na TVE Paraná

No ‪#‎4olhardecinema‬, a produtora Amanda Gracioli foi ao estúdio da Rádio e Televisão Educativa do Paraná para bater um papo com a apresentadora e cantora Iria Braga sobre ‪#‎aloucuraentrenos‬. Clique em cima da foto e confira a primeira parte da entrevista.

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Para ver a segunda parte, entre aqui. A terceira e última parte da entrevista está aqui!

Entrevista com Amanda Gracioli e Marcelo Veras

Durante a quarta edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, a Unisinos FM, de Porto Alegre, realizou uma ótima cobertura exclusiva, entrevistando diversos diretores, produtores, curadores e demais agentes envolvidos no Festival. E, como não poderia deixar de ser, o repórter Rodrigo de Oliveira registrou essa boa conversa com a produtora Amanda Gracioli e com o médico psiquiatra Marcelo Veras sobre o filme ‪#‎aloucuraentrenos‬, destaque da mostra Outros Olhares. Papo bom e revelador sobre as subjetividades (implícitas e explícitas) do filme de Fernanda Fontes Vareille!

Para ouvir a entrevista na íntegra, entre aqui ou clique na imagem abaixo!

UnisinosFM

Noite especial de estreia!

Na tela da bilheteria em Curitiba, o aviso de que a sessão de estreia estava lotada!

Na tela da bilheteria em Curitiba, o aviso de que a sessão de estreia estava lotada!

Passavam das 21h30 quando finalmente A loucura entre nós estreou no 4o. Olhar de Cinema – Curitiba Int’l Film Festival. O cinema lotado ainda conferiu um vídeo produzido pela diretora Fernanda Fontes Vareille antes da exibição. Já que não podia estar presente na noite tão especial, enviou saudações ao Festival e ao público, passando a responsabilidade de lhe representar nessa noite para a produtora Amanda Graciolli e o Dr. Marcelo Veras, autor do livro homônimo que inspirou o filme.

IMG_2379E os dois se saíram muito bem. Antes, responderam a perguntas de jornalistas em algumas entrevistas; após a sessão, foi a vez de responder às perguntas do público no debate pré-agendado pelo Festival. E diferentemente do que se podia imaginar, mais de 70% do público permaneceu na sala para o debate, que se estendeu até quase meia-noite! Uma indicação (para além dos aplausos calorosos) de que o filme mexeu com boa parte do público.

Entre as perguntas feitas, algumas se destacaram:

Vocês pensaram nos limites éticos envolvendo a exposição dos pacientes que aparecem no filme?
Por que não vemos o discurso dos médicos, mas apenas o dos pacientes?
Como foram escolhidas as protagonistas do documentário?
Por que a escolha do portão fechado como uma imagem recorrente?
Qual foi a relação da produção com os familiares das pessoas que aparecem no filme?
Quais foram as emoções da equipe enquanto produziam o filme?

IMG_2376As respostas, as interações, publicaremos em breve por aqui, em um vídeo gravado durante esse encontro – que gerou comentários entusiasmados sobre a importância de A loucura entre nós como ferramenta para uma discussão mais ampla sobre a luta antimanicomial, sobre a visibilidade das questões abordadas no documentário e sobre diversos outros pontos sutis envolvendo a voz dada a um grupo tão estigmatizado pela sociedade.

Mas gerou também um lindo comentário do escritor e crítico de cinema Pablo Villaça, que publicou em seu twitter logo após a exibição:

Não posso deixar de comentar como o doc brasileiro A Loucura Entre Nós é belíssimo. Outro grande acerto do @Olhardecinema_ ao exibi-lo.
A Loucura Entre Nós é complexo a ponto de permitir o riso diante de seus personagens ao mesmo tempo em que lamentamos suas dores.
Mas, mais do que isso, A Loucura Entre Nós é uma reflexão sobre o sistema manicomial q dialoga com o brilhante Em Nome da Razão, de Ratton.
Tanto Ratton na década de 70 quanto Fernanda Vareille em 2015 apontam a desumanidade com que tratamos aqueles que rotulamos como ‘loucos’.+
E ambos apontam a loucura contida em todos nós e questionam até que ponto nosso tratamento destes “insanos” tem a ver com nossos medos.
Que filme.”

Revista Mente Cérebro

O filme A loucura entre nós é um dos destaques da edição de junho da revista Mente Cérebro, publicação da Scientific American sobre assuntos de psicologia,  psicanálise e neurociência.

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Let me live

Bem antes de pensar em mergulhar no universo sugerido pelo livro do Dr. Marcelo Veras, a diretora Fernanda Vareille passou dois meses na Cisjordânia filmando e entrevistando pessoas. Surgia ali o seu primeiro filme, “Let me Live” (Deixe-me Viver/2009), que recebeu, em 2010, o prêmio do júri de melhor documentário no Festival de Cinema da Anistia Internacional em Paris. Disponibilizamos aqui essa obra, para que todos conheçam um pouco do trabalho da diretora de A loucura entre nós.

Revista Muito!

A Revista Muito, do Jornal A Tarde (Salvador-BA), publicou hoje (24/05) uma biografia de Fernanda Vareille, diretora de A loucura entre nós, divulgando o lançamento do filme no Festival de Curitiba! Texto de Katia Borges.

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“A loucura entre nós” a partir do olhar de Marcus André Vieira

Por Marcus André Vieira*

Marcus_Andre_VieiraA loucura entre nós, de Fernanda Vareille, é um documentário que tem mais de uma porta de entrada. É a história de Elisangela, paciente psiquiátrica internada no maior Hospital Psiquiátrico da Bahia, Juliano Moreira. Jovem, com filha menina e mãe firme, as três vivendo juntas. Ela cruza seu destino com outra mulher, Maria Leonor, mais velha e solitária, já internada diversas vezes, mas que no momento apenas frequenta o mesmo Hospital. Uma está agitada, desorganizada, enlouquecida; a outra, aparentemente mais “dentro da casinha”, apesar de contida, tensa. Enquanto Leonor tenta organizar o jardim em mandalas perfeitas a outra só vê nisso obra do demônio, e tudo desmonta. Nestes pequenos detalhes, sempre buscados pela câmera, vivemos, com ambas, as agruras do exílio da razão racional e do laço social comum e a busca por um lugar às voltas com uma singularidade que tudo desencaixa. Acompanhamos também o quotidiano do projeto Criamundo, frequentado por ambas, em seu paradoxo inicial. Concebido como geração de renda para os que têm condição de participar de um trabalho continuado, ele tenta sustentar a passagem de uma vida intramuros e outra mais adequada ao mundo externo. No entanto, se situa no interior do Hospital como uma ilha cercada de loucura por todos os lados, pois o acesso a ele é vedado aos que não trabalham no projeto e não podem entrar nas dependências ocupadas pelo Criamundo.

A câmera se deixa tomar pelos paradoxos dessas três histórias e nos propõe a todo instante uma reviravolta, já que seu olhar permite-se atravessar grades e portas por não levá-las tão a sério e demonstra como tudo depende de onde se vê. A cena inicial do filme já anuncia essa atopia do olhar. Vê-se uma cancela do ângulo de seu eixo e levamos tempo para entender do que se trata até descobrirmos que estamos entrando em algum lugar cercado, o Hospital. Do mesmo modo, boa parte do filme transcorre com a câmera fixa nos mostrando uma porta pelo lado de dentro. É a porta do Criamundo. Do lado de fora a loucura, os pacientes. Nós, os normais, estamos confinados, mas dessas grades os pacientes, internados do Hospital, vão e vêm, desfilam, falam, se apresentam, se enquadram. A porta é uma janela.

Essa inversão de perspectiva é convocada diversas vezes subvertendo nossa rigidez de espectador. Não ficaremos só no Criamundo. Seremos levados a conhecer O Modulo C, a enfermaria de internação fechada, para os mais difíceis, no dia da alta de Elisangela. É ela própria que nos leva, sorridente. Novamente, a loucura se enquadra. Não só Elisangela, seus colegas de enfermaria se servem da câmera, da chance de se ver sendo visto para se enquadrar. Vários vêm aos poucos forçar sua entrada na cena, alguns só olham, outros cantam, até que todos se reúnem numa pequena multidão, cantando o hino nacional. Perturbador, raro e essencial.

Aposto que o documentário terá função importante para aqueles que queiram transmitir o que é a loucura fora drama, do jornal ou da novela, o que é o cotidiano de um hospital psiquiátrico e de seus sujeitos em suas tentativas de inserção em nossas misérias banais. O Criamundo sai do hospital e se abre à cidade, assim como Elisangela e Leonor, viveremos as grandezas e tragédias de se perder na multidão como afunda no mar ou se navega alegre.

A maior parte das cenas do documentário foi filmada na gestão de Marcelo Veras, Diretor do Hospital por dez anos. Psiquiatra, psicanalista lacaniano que durante boa parte deste tempo empregava seus múltiplos talentos em uma detida investigação do conceito de objeto a de Lacan construindo em torno dele sua tese de doutorado. Alguns objetos, ditos “a” por Lacan, podem ter a função paradoxal de serem lixo, fora de cena, mas ao mesmo tempo sustentarem sua ordenação da cena. Sua tese tornou-se um livro, A loucura entre nós. Ele narra sua trajetória como diretor e como buscava aplicar a teoria de Lacan a seu fazer cotidiano com  a loucura. Em seu livro, Marcelo colhia as invenções cotidianas realizadas pelos pacientes, um fazer com o que cai e, no entanto, resta, o parcelar, o intersticial, o detalhe absoluto, irreciclável resto, que é reintroduzido na cadeia do discurso ou da produção para dar-lhe o tom.

O documentário é uma obra a parte, mas aposta igualmente na possibilidade de fazer laço com o que em nós é resto em um escopo mais restrito, pois elege, dentre os objetos a lacanianos, o olhar. O que no livro era, sobretudo, narrativa, aqui é posto em ato com a câmera de Fernanda e seu olhar aparentemente submisso que realiza, porém, o desafio lacaniano de um acolhimento que não é só enquadramento, mas igualmente subversão.

*Marcus André Vieira é médico, Doutor em psicanálise e Mestre em Diplôme D’études Approfondies en Psychanalyse. Psicanalista da Escola Brasileira de Psicanálise, professor da PUC-Rio; Coordenador do Centro de Atendimento Digaí, na favela da Maré; autor, entre outros, de “Restos – uma introdução lacaniana ao objeto da psicanálise” (Contra Capa, 2009) e “A paixão” (Zahar, 2001).

Para ler outros artigos de Marcus André Vieira, entre aqui.