Entrevista Luiz Gonzaga

Dr_Luis

Todo mundo que trabalha com cinema sabe qual é uma das etapas mais difíceis no processo entre o surgimento da ideia original e a exibição do produto final nas telas, para o grande público: a conquista de um patrocínio! Com o filme A loucura entre nós, felizmente, essa etapa se transformou numa relação extremamente produtiva com a empresa a Petrobahia e a Carbocloro, que garantiram o investimento no documentário através do artigo 1° A da Lei 8685/93, Lei do Audiovisual.

E se a obra é o primeiro longa metragem da diretora Fernanda Fontes Vareille, representa também a estreia da Petrobahia no patrocínio do audiovisual. Esse duplo início, entretanto, não intimidou nenhuma das partes, que acreditaram no projeto a ponto de se “arriscar” num tema pouco explorado e cheio de subjetividades.  Ao contrário; viram no discurso contido na obra a oportunidade de dar vazão a uma ideia original, investindo num filme capaz de tocar um grande número de pessoas e de preencher uma lacuna social que insiste em esconder um assunto importante para boa parcela da sociedade.

Nesse processo, o presidente do Conselho de Administração da Petrobahia, o senhor Luiz Gonzaga, foi fundamental para que o patrocínio fosse concretizado. Afinal, ele já conhecia o tema abordado, já que viabilizou também o patrocínio do lançamento do livro homônimo escrito pelo Dr. Marcelo Veras, que deu origem ao filme. Aqui, às vésperas da estreia de A loucura entre nós em Salvador, dentro do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema (no dia 31/10),  ele conversa sobre o assunto, falando sobre o reconhecimento do valor do investimento na Cultura e até dá dicas para o empresário interessado em investir no Cinema!

Como vem sendo feito o investimento da Petrobahia em projetos esportivos e socioculturais ao longo do tempo?

Luiz Gonzaga – A Petrobahia e suas empresas ligadas, a Transbahia e os Postos Gameleira, fazem o investimento com os incentivos do Faz Cultura e Faz Atleta, do Governo da Bahia, e da Lei Rouanet, do Governo Federal. Pelos incentivos do Estado, foram inúmeros projetos culturais em teatro, discos, livros, apresentação de orquestra, shows musicais; em projetos esportivos, competições de corridas de rua, ralis de automóveis, karts, velocidade na terra e outras modalidades, em convênio com a Federação de Automobilismo da Bahia.

Pela Lei Rouanet foram realizados projetos de livros infantis, literatura em quadrinhos, com temas ligados à cidadania, como combate às drogas, ao fumo, como evitar o câncer de mama. Esses livros foram distribuídos com grande sucesso em escolas e associações, e deu origem a um seriado da TV Globo, pela qualidade do conteúdo. Outro livro que lançamos foi “A loucura entre nós”, do Dr. Marcelo Veras, que originou o filme com o mesmo nome e que ganha telas do cinema no Brasil, após sua estreia no Festival Internacional de Curitiba, no Paraná, e depois do seu lançamento em Paris, este ano.

Na área cultural, vale destacar também o apoio, sem patrocínio oficial, ao livro da biografia do Octávio Mangabeira, de autoria de Paulo Segundo da Costa, com assuntos inéditos. O biografado foi o maior dos governadores da Bahia, pela competência, trabalho e honestidade, considerado democrata irredutível, um verdadeiro estadista.

Como é feita a escolha dos projetos assistidos pela empresa? Existe uma equipe que decide o que será patrocinado ou a escolha é feita a partir de algum tipo de identificação com o projeto?

Luiz Gonzaga – A escolha é feita pela Diretoria, em função do custo, do conteúdo, da idoneidade do promotor dos projetos. Vamos criar uma comissão assessora, composta de técnicos, mesmo de fora da empresa, para seleção desses projetos, com exame de conteúdo mais detalhado, a partir deste ano.

Como o projeto de patrocínio do filme “A loucura entre nós” chegou até o Senhor? O que lhe chamou atenção nele?

Luiz Gonzaga – O título e, depois, a proximidade do autor escritor, como um médico de visão pública, que dirigiu com competência um grande hospital psiquiátrico e uma fundação universitária pública. Depois, a confiança e a organização que nos passou a cineasta e diretora do filme.

É a primeira vez que a Petrobahia investe em cinema?

Luiz Gonzaga – Sim, a primeira vez. Tivemos enfim acesso a um projeto completo, com a documentação necessária, os procedimentos para se buscar o incentivo de forma transparente e prática.

O investimento de empresas baianas ao cinema local ainda é muito tímido, se comparada à iniciativa de mercados como o carioca ou o paulista. O Senhor credita esse fato à falta de um conhecimento maior desse tipo de investimento cultural por parte dos empresários?

Luiz Gonzaga – O investimento na Bahia é muito pequeno nessa área. Faltam informação e convencimento junto ao empresariado baiano, além de explicação sobre como funcionam os incentivos. O cinema, como o teatro, é o maior e melhor caminho para a difusão do conhecimento, da cultura, da educação, da implantação de novas práticas e hábitos para o bem comum. O Governo do Estado restringiu, na gestão anterior, o incentivo do Faz Cultura, não permitindo que empresas com o regime de substituição tributária gozem do benefício da devolução de até 80% dos projetos. E a tendência é ampliar o regime da substituição, pela facilidade do Estado arrecadar, com menor custo de fiscalização. O Governo banca programa pela televisão de excelente qualidade, na área de educação, por exemplo, mas em horário que ninguém assiste, e a conta é alta. Prova da importância da TV e do cinema como método e processo da difusão cultural e do conhecimento.

Qual é a expectativa desse novo investimento no que diz respeito ao retorno para a imagem da empresa?

Luiz Gonzaga – A expectativa é boa e grande. Desejamos apresentar o filme no mercado em que a Petrobahia atua, como distribuidora de combustíveis. Também estamos pensando em exibi-lo em alguns países, onde tivermos manifestação de apoio das Embaixadas do Brasil ou de alguma empresa.

Que benefícios a Petrobahia enxerga no investimento a um filme como “A loucura entre nós”, em médio e em longo prazo?

Luiz Gonzaga – Em dar visibilidade à prática que a Petrobahia vem tendo como uma companhia cidadã, que cumpre sua função social, que valoriza a educação, a cultura e o esporte, inserida nos desejos de melhoria da comunidade onde serve.

Diante dessa nova experiência, que conselho o senhor daria a um empresário que deseja começar a patrocinar no cinema baiano?

Luiz Gonzaga – Que dê o primeiro passo e faça uma experiência como a Petrobahia; escolha um produtor de qualidade e sério, que tenha um bom projeto, e invista! Os resultados, acreditamos, surgirão no médio e no longo prazo. Pretendemos levar essa experiência e relatar nas associações de que participamos. Vamos convidar a diretora da empresa produtora para falar dos seus projetos futuros, abrindo o caminho para a difusão da informação sobre as relações entre empresários e diretores/produtores.