A cadeira de balanço

A cineasta Fernanda Fontes Vareille participa esse ano da programação do XII Panorama Internacional Coisa de Cinema, um dos principais eventos cinematográficos do estado da Bahia e também do país, que será realizado entre 09 e 16 de novembro de 2016 em Salvador. A diretora de A loucura entre nós competirá com o curta A cadeira de balanço, uma obra de ficção sobre um casal que vê a dinâmica de sua vida mudar a partir do momento em que um objeto estranho é instalado na sala de estar.

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A cadeira de balanço será exibido nos dias 10/11 (quinta-feira, às 16h50), no Itaú Glauber Rocha, e 11/11 (sexta-feira, às 19h), na Sala Walter da Silveira, dentro da mostra competitiva de curtas baianos. O Panorama promoverá ainda mostras competitivas de longas, exibições variadas, oficinas, shows e debates para festejar a arte cinematográfica em diversas frentes. É realmente um programa imperdível para quem gosta de cinema!

O primeiro Panorama Internacional Coisa de Cinema aconteceu em 2002, em Salvador. De lá pra cá, muita coisa mudou; a produção cinematográfica baiana cresceu muito e, em 2016, o festival comemora dois longas locais na competição nacional, além de oito longas e dezesseis curtas na competição Bahia. O documentário A loucura entre nós teve sua estreia em Salvador no dia 31 de outubro de 2015, exatamente na Competitiva Baiana do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema!

Para ficar por dentro da programação do festival, entre aqui! Para colocar na agenda os dias e horários da nova obra de Fernanda Fontes Vareille, é só anotar:

A Cadeira de Balanço / de Fernanda Fontes Vareille
BA/França, 14′, Cor, Digital, 2016
Sinopse:

10/11
Quinta-feira – 16h50 / Itaú Glauber Rocha / Sala 1

11/11
Sexta-feira – 19h / Sala Walter da Silveira

Críticas no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema

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A passagem do filme A loucura entre nós no no último dia 31 de outubro, em Salvador, rendeu algumas críticas sobre a obra. Aqui, dividimos algumas com vocês:

Intenso, essa talvez seja a melhor forma de traduzir o filme de Fernanda Fontes Varielle sobre os internos do Hospital Juliano Moreira. (…) A Loucura Entre Nós não quer construir teses, nem mesmo dar respostas a quaisquer questões, tanto que não entrevista médicos, nem assistentes sociais. O documentário quer apenas dar voz a esses pacientes e mostrar que por trás do estigma de ‘loucos’, existem pessoas ali que não são necessariamente perigosas, mas trabalhadores, artistas, mães, seres humanos que são tudo isso ao mesmo tempo e algo mais.”  – Texto escrito no Portal Cine Pipoca Cult por Amanda Aouad – Crítica Afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporânea (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Leia a crítica na íntegra aqui.

“Os personagens reais do documentário revelam seus anseios, desejos e delírios de forma muito honesta, levando o espectador a questionar o que é a loucura e quais os impactos negativos do modelo asilar para o ‘interno’. As personagens mais fortes são as femininas que norteiam o filme de formas marcantes. (…) Essa delicadeza do universo feminino, concomitante, com a força e fibra delas é o marco da narrativa. A fotografia é crua, onde a câmera é um personagem revelador, ele inspira confiança aos depoentes que a usam como um espaço para verbalizar suas angustias, desejos e alegrias”. – Site Vozes da Voz. Leia a crítica na íntegra aqui.

Os labirintos do olhar no filme “A loucura entre nós”

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Por Marcelo Veras*

Não quis escrever sobre o filme A loucura entre nós antes de seu lançamento em Salvador. Surpreendi-me com uma pequena multidão que rapidamente lotou as três salas do Espaço Glauber Rocha ontem à noite. No debate ocorrido após a projeção falei rapidamente de um ponto que considero precioso e que as câmeras conseguem demonstrar com muito mais facilidade do que meu próprio livro. Refiro-me ao modo como podemos trabalhar com o olhar na clínica da loucura. O olhar na clínica é habitualmente identificado com seu poder disciplinador. Ao enquadrar, ele demarca uma alteridade entre o clínico/observador e o paciente/observado. Muito já foi dito sobre esse aspecto e a referência foucauldiana ao Panopticum de Bentham tornou-se um clássico na Saúde Mental. Quando fui diretor de hospital psiquiátrico tive a certeza do peso desse olhar absoluto e do modo como esse olhar organiza os espaços e os corpos, estabelecendo um dentro e um fora. O olhar clássico sobre a loucura é sempre um olhar de fora para dentro. É como se só pudéssemos vê-la por uma fresta entre as grades, protegidos e separados.

O filme tem longas sequências fixas mostrando precisamente uma porta. Do lado de dentro, onde se situa a câmera e os pacientes do projeto Criamundo, temos a impressão de estarmos em uma ilha dentro do asilo. A loucura é um teatro que se passa do outro lado das grades. Contudo, rapidamente nos damos conta da impossibilidade de estabelecermos um muro eficaz. A primeira cena mostra um grupo de participantes do projeto trabalhando tranquilamente, em um ambiente claro e limpo, e aos poucos nos damos conta de que a paz é cortada pelo urrar de uma paciente. Urro de horror e desespero, vindo de alguma enfermaria do lado de fora.

O plano da porta é um perfeito enquadramento para a loucura. Na verdade esse plano lembra um pouco a play scene de Hamlet. Toda vez que uma porta ou uma janela aparece em um cinema temos a visão de uma cena dentro da cena. O público sentado na plateia já está diante da tela que é um enquadramento. O escuro em torno da tela é uma moldura. Então focamos o filme, e aí percebemos a loucura por trás da porta. Nesse momento é a realidade retratada no filme que faz papel de moldura, a loucura está mais além.

Eis que a câmera atravessa a porta, inicialmente como observadora. Ela passa a percorrer os corredores do asilo. Aos poucos os pacientes vão descobrindo a câmera. E de repente ela se torna um canal de expressão, eles começam a dizer para a câmera tudo que a instituição calava. Doravante eles não estão mais submissos ao olhar absoluto; outro olhar, o da câmera, faz furo no panopticum de Bentham. Aos poucos o olhar subverte a segregação imposta. A loucura não está mais do outro lado, ela está entre nós. Cada história narrada desconstrói o retrato. Não é possível, contudo, viver sem uma moldura e ao final vemos como cada um vai se virar com sua própria invenção de realidade. Os personagens deixam de ser um retrato fixado pelos discursos da saúde mental. O filme, lembro, não é uma ficção. No final, as protagonistas, cada uma a seu modo, escolhem uma solução para o peso do olhar insistente do Outro. Uma personagem atravessa a moldura e a outra escapa do olhar deixando-se confundir na multidão.
*Dr. Marcelo Veras é autor do livro homônimo que inspirou o documentário A loucura entre nós. Esse texto foi retirado do post do seu Facebook publicado em 01 de novembro de 2015, um dia após a exibição do filme no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador.

Garanta seu ingresso já!

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Por causa do sucesso mesmo antes da exibição de A loucura entre nós no XI Panorama Internacional Coisa de Cinema, que fez acabar rapidamente os ingressos para as duas salas disponibilizadas ao filme no festival, a produção do Panorama acaba de abrir outra sala (a terceira!) para a nossa sessão do dia 31 de outubro de 2015 (próximo sábado) no Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha (na Praça Castro Alves, em Salvador).

Então, se você não quiser perder a chance de viver nossa estreia na capital baiana ao lado de nossa equipe, recomendamos garantir já o seu ingresso na bilheteria do Espaço Itaú de Cinema. A inteira é R$ 10,00 e a meia é R$ 5,00. Existe ainda o passaporte econômico, que dá direito a dez filmes do Panorama!

Após a sessão, haverá um debate em uma das salas, com a presença da diretora Fernanda Fontes Vareille, da produtora Amanda Gracioli e do Dr. Marcelo Veras (autor do livro homônimo que inspirou o filme).

A loucura entre nós participa da Competitiva Baiana do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema e tem patrocínio da Petrobahia e da Carbocloro (através do artigo 1° A da Lei 8685/93, Lei do Audiovisual).

Entrevista Luiz Gonzaga

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Todo mundo que trabalha com cinema sabe qual é uma das etapas mais difíceis no processo entre o surgimento da ideia original e a exibição do produto final nas telas, para o grande público: a conquista de um patrocínio! Com o filme A loucura entre nós, felizmente, essa etapa se transformou numa relação extremamente produtiva com a empresa a Petrobahia e a Carbocloro, que garantiram o investimento no documentário através do artigo 1° A da Lei 8685/93, Lei do Audiovisual.

E se a obra é o primeiro longa metragem da diretora Fernanda Fontes Vareille, representa também a estreia da Petrobahia no patrocínio do audiovisual. Esse duplo início, entretanto, não intimidou nenhuma das partes, que acreditaram no projeto a ponto de se “arriscar” num tema pouco explorado e cheio de subjetividades.  Ao contrário; viram no discurso contido na obra a oportunidade de dar vazão a uma ideia original, investindo num filme capaz de tocar um grande número de pessoas e de preencher uma lacuna social que insiste em esconder um assunto importante para boa parcela da sociedade.

Nesse processo, o presidente do Conselho de Administração da Petrobahia, o senhor Luiz Gonzaga, foi fundamental para que o patrocínio fosse concretizado. Afinal, ele já conhecia o tema abordado, já que viabilizou também o patrocínio do lançamento do livro homônimo escrito pelo Dr. Marcelo Veras, que deu origem ao filme. Aqui, às vésperas da estreia de A loucura entre nós em Salvador, dentro do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema (no dia 31/10),  ele conversa sobre o assunto, falando sobre o reconhecimento do valor do investimento na Cultura e até dá dicas para o empresário interessado em investir no Cinema!

Como vem sendo feito o investimento da Petrobahia em projetos esportivos e socioculturais ao longo do tempo?

Luiz Gonzaga – A Petrobahia e suas empresas ligadas, a Transbahia e os Postos Gameleira, fazem o investimento com os incentivos do Faz Cultura e Faz Atleta, do Governo da Bahia, e da Lei Rouanet, do Governo Federal. Pelos incentivos do Estado, foram inúmeros projetos culturais em teatro, discos, livros, apresentação de orquestra, shows musicais; em projetos esportivos, competições de corridas de rua, ralis de automóveis, karts, velocidade na terra e outras modalidades, em convênio com a Federação de Automobilismo da Bahia.

Pela Lei Rouanet foram realizados projetos de livros infantis, literatura em quadrinhos, com temas ligados à cidadania, como combate às drogas, ao fumo, como evitar o câncer de mama. Esses livros foram distribuídos com grande sucesso em escolas e associações, e deu origem a um seriado da TV Globo, pela qualidade do conteúdo. Outro livro que lançamos foi “A loucura entre nós”, do Dr. Marcelo Veras, que originou o filme com o mesmo nome e que ganha telas do cinema no Brasil, após sua estreia no Festival Internacional de Curitiba, no Paraná, e depois do seu lançamento em Paris, este ano.

Na área cultural, vale destacar também o apoio, sem patrocínio oficial, ao livro da biografia do Octávio Mangabeira, de autoria de Paulo Segundo da Costa, com assuntos inéditos. O biografado foi o maior dos governadores da Bahia, pela competência, trabalho e honestidade, considerado democrata irredutível, um verdadeiro estadista.

Como é feita a escolha dos projetos assistidos pela empresa? Existe uma equipe que decide o que será patrocinado ou a escolha é feita a partir de algum tipo de identificação com o projeto?

Luiz Gonzaga – A escolha é feita pela Diretoria, em função do custo, do conteúdo, da idoneidade do promotor dos projetos. Vamos criar uma comissão assessora, composta de técnicos, mesmo de fora da empresa, para seleção desses projetos, com exame de conteúdo mais detalhado, a partir deste ano.

Como o projeto de patrocínio do filme “A loucura entre nós” chegou até o Senhor? O que lhe chamou atenção nele?

Luiz Gonzaga – O título e, depois, a proximidade do autor escritor, como um médico de visão pública, que dirigiu com competência um grande hospital psiquiátrico e uma fundação universitária pública. Depois, a confiança e a organização que nos passou a cineasta e diretora do filme.

É a primeira vez que a Petrobahia investe em cinema?

Luiz Gonzaga – Sim, a primeira vez. Tivemos enfim acesso a um projeto completo, com a documentação necessária, os procedimentos para se buscar o incentivo de forma transparente e prática.

O investimento de empresas baianas ao cinema local ainda é muito tímido, se comparada à iniciativa de mercados como o carioca ou o paulista. O Senhor credita esse fato à falta de um conhecimento maior desse tipo de investimento cultural por parte dos empresários?

Luiz Gonzaga – O investimento na Bahia é muito pequeno nessa área. Faltam informação e convencimento junto ao empresariado baiano, além de explicação sobre como funcionam os incentivos. O cinema, como o teatro, é o maior e melhor caminho para a difusão do conhecimento, da cultura, da educação, da implantação de novas práticas e hábitos para o bem comum. O Governo do Estado restringiu, na gestão anterior, o incentivo do Faz Cultura, não permitindo que empresas com o regime de substituição tributária gozem do benefício da devolução de até 80% dos projetos. E a tendência é ampliar o regime da substituição, pela facilidade do Estado arrecadar, com menor custo de fiscalização. O Governo banca programa pela televisão de excelente qualidade, na área de educação, por exemplo, mas em horário que ninguém assiste, e a conta é alta. Prova da importância da TV e do cinema como método e processo da difusão cultural e do conhecimento.

Qual é a expectativa desse novo investimento no que diz respeito ao retorno para a imagem da empresa?

Luiz Gonzaga – A expectativa é boa e grande. Desejamos apresentar o filme no mercado em que a Petrobahia atua, como distribuidora de combustíveis. Também estamos pensando em exibi-lo em alguns países, onde tivermos manifestação de apoio das Embaixadas do Brasil ou de alguma empresa.

Que benefícios a Petrobahia enxerga no investimento a um filme como “A loucura entre nós”, em médio e em longo prazo?

Luiz Gonzaga – Em dar visibilidade à prática que a Petrobahia vem tendo como uma companhia cidadã, que cumpre sua função social, que valoriza a educação, a cultura e o esporte, inserida nos desejos de melhoria da comunidade onde serve.

Diante dessa nova experiência, que conselho o senhor daria a um empresário que deseja começar a patrocinar no cinema baiano?

Luiz Gonzaga – Que dê o primeiro passo e faça uma experiência como a Petrobahia; escolha um produtor de qualidade e sério, que tenha um bom projeto, e invista! Os resultados, acreditamos, surgirão no médio e no longo prazo. Pretendemos levar essa experiência e relatar nas associações de que participamos. Vamos convidar a diretora da empresa produtora para falar dos seus projetos futuros, abrindo o caminho para a difusão da informação sobre as relações entre empresários e diretores/produtores.

Estreia em Salvador

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A loucura entre nós finalmente vai ser exibido em Salvador, dentro da Competitiva Baiana do XI Panorama Internacional Coisa de Cinema. A sessão na capital baiana, cidade que deu origem à ideia, ao desejo e à produção envolvendo as histórias – retratadas sem filtros ou julgamento – sobre os caminhos que percorremos em busca de uma aparente normalidade, acontece no dia 31 de outubro no Espaço Itaú de Cinema (Cine Glauber Rocha), às 20h, e contará com um debate com a presença da diretora Fernanda Fontes Vareille e a produtora Amanda Gracioli (Águas de Março Filmes), após a exibição.

O Panorama Internacional Coisa de Cinema é um dos principais eventos cinematográficos do estado da Bahia – e também do país – e, este ano, acontece no Espaço Itaú de Cinema – Glauber Rocha (Salvador – BA), na Sala Walter da Silveira (Salvador – BA) e na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (Cachoeira – BA). Os ingressos custam R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia) e R$ 30 (passaporte com direito a 10 filmes do Panorama).

Com patrocínio da Petrobahia e da Carbocloro (através do artigo 1° A da Lei 8685/93, Lei do Audiovisual) A loucura entre nós, da diretora Fernanda Vareille, faz um recorte extremamente poético sobre a vida de pessoas com passagem pelo hospital psiquiátrico Juliano Moreira, em Salvador, cujos depoimentos, histórias e relações propõem reflexões sobre os caminhos, ganhos e perdas que cada um de nós vive na busca por uma possível “normalidade”. Um documentário que quebra o isolamento de pessoas vivendo nos limites de ruptura com a realidade, abrindo uma discussão sobre os paradoxos da reinserção da loucura no mundo em geral.